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Brasil não suporta mais ser enxovalhado e rotulado de vilão ambiental, diz Mourão

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***ARQUIVO***SÃO PAULO , SP, BRASIL, 09-03-2020- Evento formal de lançamento da CNN Brasil com presença do vice-presidente Hamilton Mourão, na Oca do Parque do Ibirapuera. Na foto o vice-presidente Mourão. (Foto: Bruno Santos/ Folhapress)
***ARQUIVO***SÃO PAULO , SP, BRASIL, 09-03-2020- Evento formal de lançamento da CNN Brasil com presença do vice-presidente Hamilton Mourão, na Oca do Parque do Ibirapuera. Na foto o vice-presidente Mourão. (Foto: Bruno Santos/ Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O vice-presidente Hamilton Mourão (PRTB) afirmou nesta terça-feira (18) que o Brasil "não suporta mais ser enxovalhado e rotulado de vilão ambiental por conta de erros cometidos no passado na ocupação da Amazônia". Falando em um simpósio sobre o bioma, ele fez ainda uma defesa de políticas de ocupação da Amazônia adotadas pelos governos militares.

Esse entendimento sobre o país seria "habilmente orquestrado por grupos políticos e econômicos, a quem convêm manter o Brasil acossado na defensiva, tentando justificar suas ações na região como se fôssemos maus inquilinos da propriedade alheia", disse.

Além de vice-presidente, Mourão comanda o Conselho da Amazônia, que tem por objetivo coordenar ações do governo no combate a ilícitos ambientais no bioma.

O governo enfrenta forte pressão no flanco internacional por conta do avanço do desmatamento na Amazônia.

Segundo dados do Deter, do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), o desmatamento no bioma bateu recorde recente em abril. O mês foi também o pior da série histórica atual, que tem início em 2015 --os dados anteriores eram menos precisos.

Em sua fala, Mourão fez ainda uma defesa da política de ocupação da Amazônia pelo governo militar --chamado pelo vice de "movimento de 1964".

"Era um projeto de Estado que originalmente previa a ocupação ordenada, gerando um arco de humanização, que protegeria a floresta, com um desflorestamento controlado, utilização racional do solo e subsolo bem como da biodiversidade", disse.

Mourão lamentou que os governos pós-ditadura tenham abandonado essas políticas e argumentou que, caso a linha tivesse sido mantida, "seguramente teríamos resultados sustentáveis, ocupação ordenada e uso adequado do solo, subsolo e biodiversidade".

"Todos os projetos de Estado idealizados pelo movimento de 1964 foram deliberadamente abandonados, deixando os projetos de assentamento e colonização agrícola da Amazônia à própria sorte e à mercê de grileiros, posseiros e grandes latifundiários. Gerando uma ocupação desordenada e predatória da região", afirmou.

A interpretação de Mourão contrasta com a opinião de ambientalistas que, entre outros pontos, apontam que a abertura de estradas pela ditadura no período intensificou o processo de desmatamento ilegal, além de ocupação desordenada do território.

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