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Brasil não deve atrair novas operadoras com leilões de frequências para redes 5G

Rafael Rodrigues da Silva
De acordo com especialistas presentes no Futurecom, em São Paulo, leilões de frequências para redes 5G não deverão atrair novas operadoras para o país e servirão mais para agregar valor às já existentes e arrecadar fundos para o governo federal

Ainda que o Brasil faça leilões abertos para as frequências de 5G, isso dificilmente irá atrair novas operadoras de telefonia para o país. Ao menos é nisso que acreditam três especialistas que participaram de um painel organizado pela 5G Americas nesta segunda-feira (15) no Futurecom, que acontece em São Paulo.

De acordo com Eduardo Tude, presidente do Teleco, a competição sobre telefonia móvel no Brasil é muito acirrada — como é possível notar pelas dificuldades enfrentadas pela Nextel e o recente fechamento da Porto Seguro Conecta —, e mesmo que o leilão traga alguma nova operadora para o país, ela provavelmente será voltada para soluções específicas de Internet das Coisas (IoT).

Já Arivaldo Lopes, principal analista da Ovum, acredita que ainda que faça sentido surgir alguma nova operadora para atuar com banda de 5G no mercado para IoT, ela provavelmente entraria no país para atuar apenas como operadora virtual, ou seja, alugando uma rede de terceiros. Ele ainda aposta que os leilões serão usados para arrecadação de fundos, visto a situação de déficit fiscal enfrentada pelo governo federal.

O analista também defende que mesmo que as operadoras executem operações de marketing dizendo que possuem redes 5G exclusivas, não irá demorar muito para que elas passem a alugar essas redes para outras empresas, já que há uma enorme pressão dos acionistas para a redução de custos.

Renato Pasquim, diretor da Frost & Sullivan, concorda com as análises dos outros dois painelistas e entende que o 5G será uma oportunidade para que essas empresas agreguem valor às suas operações, mas ressalta que as as teles precisarão se preparar melhor para exercer esse papel.

Ainda não está definido quando exatamente a Anatel irá executar o leilão das frequências de 5G que serão utilizadas no país, mas o órgão já anunciou que pretende fazer isso em 2019. Quanto às frequências, por enquanto são cinco as faixas de espectro que estão sendo avaliadas para uso da rede: 1.5GHz, 2.3GHz, 3.5GHz, 26GHz e 40GHz.

Fonte: Canaltech