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Brasil mantém-se entre piores em avaliação internacional de educação

Hugo Passarelli

Aprendizagem dos estudantes brasileiros ficou estagnada em 2018, aponta o Pisa, divulgado pela OCDE A aprendizagem dos estudantes brasileiros ficou estagnada em 2018, aponta o Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa, na sigla em inglês), divulgado nesta terça-feira pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

No ano passado, a nota brasileira em leitura garantiu a 57ª posição entre 77 países; em matemática, o 70º lugar entre 78; e em ciências, o 66º posto de 78 avaliações. A prova foi aplicada em 79 economias e países, incluindo membros e associados da OCDE, mas nem todos os resultados foram considerados válidos.

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O exame é realizado de três em três anos com jovens de 15 anos. Entre 2015 e 2018, o Brasil mostrou leve melhora numérica nas três avaliações, mas a OCDE considera a variação sem relevância estatística. Com a estagnação, os dados do Pisa ainda atestam que as três notas brasileiras seguem abaixo da média dos resultados da OCDE.

A OCDE destaca que, embora as notas dos países estejam na mesma escala, a diferença entre uma e outra nem sempre indica uma disparidade significativa de aprendizagem. Em leitura, por exemplo, o Brasil atingiu 413 pontos, acima da Colômbia (412) e abaixo da Jordânia (419) e Malásia (415). A OCDE considera, no entanto, que a nota brasileira é equivalente às destes três países neste intervalo.

O resultado do Pisa 2018 confirma um diagnóstico que tem sido repetido na última década: embora o Brasil tenha conseguido ensinar mais a seus alunos a partir de 2000, primeiro ano de aplicação da prova internacional, o ritmo de melhora desacelerou a partir de 2009.

“O desempenho médio da matemática melhorou entre 2003 e 2018, mas a maior parte da melhoria ocorreu nos primeiros ciclos do Pisa. Após 2009, em matemática, assim como em leitura e ciências, o desempenho médio não mudou significativamente”, destaca a OCDE em comunicado.

O avanço lento também preocupa em um momento em que especialistas questionam a eficácia da ações do Ministério da Educação (MEC) comandado por Abraham Weintraub. Embora discordem sobre como atacar problemas conhecidos, como a falta de atratividade do ensino médio, a maioria dos especialistas afirma que há pouco ou nenhum movimento do governo federal para induzir uma virada no desempenho educacional do Brasil.

A OCDE estabelece uma escala de proficiência de 1 a 6 para as três disciplinas e constatou que, no caso brasileiro, 43% dos avaliados ficaram abaixo do nível mínimo de conhecimentos nas três matérias. Na média da OCDE, o percentual é bastante inferior, de 13%.

De modo inverso, apenas 2% dos alunos brasileiros ficaram no topo da escala de proficiência em ao menos uma matéria, contra uma média de 16% da OCDE.

Além de continuamente fraco, o desempenho do Brasil no Pisa vem mostrando um aumento de desigualdade entre os alunos de diversos segmentos sociais. Em 2018, os alunos com melhores condições socioeconômicas tiveram, na prova de leitura, nota superior em 97 pontos ante os mais vulneráveis. Na média da OCDE, a diferença pela mesma comparação é de 89 pontos. No Pisa de 2009, a diferença entre os dois extremos sociais no Brasil era menor, em 84 pontos.

Desafio global

Apesar do baixo desempenho do Brasil, a OCDE afirma que o desafio de mudar os níveis de aprendizagem não é uma exclusividade dos alunos brasileiros. “Considerando que a despesa por aluno dos ensinos fundamental e médio aumentou mais de 15% nos países da OCDE na última década, é decepcionante que a maioria deles não tenha visto praticamente nenhuma melhora de desempenho desde que o Pisa foi aplicado pela primeira vez em 2000”, diz o relatório da entidade.

Segundo a OCDE, apenas sete dos 79 sistemas educacionais analisados tiveram aumento de nota em leitura, matemática e ciências desde 2000 e apenas um deles — Portugal — é membro da OCDE.