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Brasil está bem colocado nesta crise por 'razões não muito boas', diz diretor do BC

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***ARQUIVO***BRASÍLIA, DF: Fachada do Banco Central no Setor Bancário Sul, em Brasília. (Foto: Sérgio Lima/Folhapress)
***ARQUIVO***BRASÍLIA, DF: Fachada do Banco Central no Setor Bancário Sul, em Brasília. (Foto: Sérgio Lima/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O diretor de Política Monetária do BC (Banco Central), Bruno Serra, afirmou nesta quinta-feira (14) que o Brasil está "bem colocado" em meio à retirada global de estímulos econômicos nesta crise por "razões não muito boas".

Entre os motivos, ele citou a redução do volume de capital estrangeiro e depreciação cambial ao comparar com outros períodos de turbulência global.

"Quando a gente pensa em outros momentos de choque de liquidez internacional, o Brasil está bastante bem colocado, bastante melhor colocado neste momento do que no passado, talvez até por razões não muito boas", ponderou em evento organizado pela Febraban (Federação Brasileira de Bancos).

"O volume de dinheiro de estrangeiro aqui dentro não é tão grande, o câmbio sofreu bastante nos últimos 12, 24 meses, estamos com uma conta-corrente [externa] próxima do equilíbrio e por diversas outras razões estamos mais bem posicionados que em outras crises", elencou Serra.

Os fatores citados pelo diretor, como a fuga de capital estrangeiro, reduzem a exposição à volatilidade internacional, mas não são positivos de forma geral porque levam à queda de investimentos no país.

Segundo Serra, o mundo passa agora por período de retirada dos estímulos implementados para fazer frente aos efeitos econômicos gerados pela pandemia de Covid-19, o que torna o cenário "desafiador".

"É muito importante que ter em mente que quando a gente começa um programa, se ele tem emergencial no nome, ele deve ser repensado em momentos de funcionamento normal dos sistemas financeiros. Isso vale para o Brasil e para o mundo. Acho que é isso que está acontecendo, talvez num contexto mais difícil que o imaginado", disse.

O diretor pontuou que "as pessoas se adaptaram de alguma forma a todas as dificuldades que a pandemia traz em termos de saúde pública e o funcionamento da economia se manteve, o consumo se recuperou bastante, o crédito atuou de forma anticíclica".

No evento, Serra adiantou que o BC estuda novos instrumentos para prover liquidez (mais recursos disponíveis para emprestar) ao sistema financeiro, como o aprimoramento da LFL (Linha Financeira de Liquidez), criada na pandemia.

Em outra frente, para enxugar liquidez, o BC avalia remunerar recursos excedentes de reservas bancárias e a conta de moeda eletrônica, que são as contas pré-pagas gerenciadas por instituições de pagamento.

"Está em avaliação fazer regulação de tomar depósitos voluntários remunerando excedentes de reserva bancária e a conta de moeda eletrônica. Isso teria um benefício de gerar disponibilidade na conta de pagamentos instantâneos, disponibilidade para operação do Pix nos horários em que o sistema financeiro não está funcionando", afirmou Serra.

Além disso, ele disse que a medida ajudaria na fluidez do sistema de pagamentos, traria ganho de eficiência na gestão do caixa e que poderia substituir uma parte do compulsório de depósito à vista. "Teria a mesma função, precisa ser avaliado com calma e com tempo, mas é possível", ressaltou.

Serra destacou ainda que a autoridade monetária pretende fazer uma redução estrutural no nível de depósitos compulsórios e "ainda pode almejar bastante mais dessa agenda, mas tem que ser um processo seguro como foi até aqui".

Depósitos compulsórios são recursos dos clientes que as instituições financeiras deixam retidos no BC e que não podem virar crédito. Funciona como um seguro para diminuir a alavancagem, ou seja, que esse dinheiro seja emprestado indiscriminadamente, colocando a instituição em risco em caso de inadimplência.

O diretor disse que o volume de compulsórios no Brasil é alto em relação a outros países porque há uma "cultura de liquidez diária" por parte dos poupadores. A dinâmica, segundo ele, gera dificuldades para o sistema financeiro. "Não está claro como resolver o problema. De um lado há o desejo do poupador e do outro a necessidade do tomador", pontuou.

Mais tarde, em evento promovido pela XP, a diretora de Assuntos Internacionais, Fernanda Guardado, reiterou que o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC deve continuar elevando a taxa básica de juros (Selic) em 1 ponto percentual por reunião. Segundo ela, embora não esteja “fora da mesa” revisar o movimento caso o cenário mude, a autoridade monetária está confortável com o ritmo escolhido.

“Nossos modelos mostram que vamos chegar lá [na meta de inflação] em 2022”, ressaltou.

Sobre o horizonte relevante, para quando o BC entende que a política monetária faz efeito, ela explicou que o Copom quis deixar claro que não havia abandonado 2022, embora a janela inclua também 2023.

“Não queríamos que parecesse uma desculpa para abandonar 2022, acreditamos que vai ser suficiente [para alcançar a meta]”, afirmou. Para a diretora, uma eventual perda com a inflação do próximo ano pode ter custos de longo prazo.

Guardado disse ainda que o BC não mudou a forma de atuar no câmbio. Ela ressaltou que a antecipação da intervenção para o chamado overhedge, proteção cambial adicional adotada por bancos que precisa ser desfeita na virada no ano e implica compra de dólares, não significa que a autoridade monetária tenha mudado a forma de atuar nesse mercado.

A intervenção foi anunciada no mês passado. “Não mudamos a nossa forma de intervir [no câmbio]. A comunicação que fizemos quando anunciamos as intervenções para o overhedge deixou isso bem claro", afirmou.

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