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Brasil deve torcer para que acordo EUA-China fracasse, diz AEB

Por Rodrigo Viga Gaier
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Por Rodrigo Viga Gaier

RIO DE JANEIRO (Reuters) - O Brasil deve torcer para que Estados Unidos e China não fechem um acordo comercial que amarre importações agrícolas chinesas à oferta norte-americana, afirmou nesta quinta-feira o presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro.

Ao destacar os termos de uma primeira etapa do acordo comercial em negociação entre as duas maiores economias do mundo -que envolve, entre outros pontos, um compromisso da China de comprar até 50 bilhões de dólares em produtos agrícolas de fornecedores norte-americanos-, Castro disse que o entendimento "atingiria o Brasil em cheio".

“Esse acordo sim prejudicaria o Brasil, porque o Brasil ficaria em segundo plano, venderia para a China (apenas) aquilo que os Estados Unidos não venderem, e isso acontecendo tiraria mercado e espaço do Brasil", afirmou à Reuters.

"Os Estados Unidos querem colocar uma camisa de força na China e a gente tem torcer contra isso. O acordo não pode sair nesse molde, seria ruim para nós“, acrescentou Castro.

A AEB estima que o Brasil fechará este ano com superávit comercial de 36 bilhões de dólares. Para 2020, a perspectiva é de queda do saldo, para cerca de 30 bilhões de dólares, como reflexo da aceleração da economia, com aumento nas importações de máquinas e equipamentos, e de exportações estáveis.

Para Castro, 2021 será "o ano da virada das exportações brasileiras" a partir da aprovação de reformas estruturantes que, em sua avaliação, ajudarão a reduzir o custo Brasil. “Tem ainda concessões e privatizações e outras medidas que podem dar uma guinada na nossa exportação de manufaturados que precisam sair do gargalo há anos“, afirmou.