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Brasil deve superar alta da inflação antes dos EUA, diz presidente do Inter

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WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS) - O Brasil deve superar a alta da inflação antes dos Estados Unidos e pode ter um segundo semestre bom, apesar da turbulência gerada pelas eleições, avalia João Menin, presidente do Banco Inter.

"A gente tem ventos contrários e a favor. Muito difícil saber qual vai prevalecer. Tem eleição mas, por outro lado, o Brasil foi ahead of the curve [à frente da curva] em vez de behind the curve [atrás da curva]. A gente subiu os juros antes, isso deve fazer com que a inflação ceda mais rápido no Brasil do que nos EUA, por exemplo, onde ainda está escalando", disse, em entrevista na sede da Nasdaq, em Nova York.

"Isso ajuda muito a poupança das famílias. O emprego no Brasil está bom. A parte fiscal do Brasil está boa. Então, apesar de ter eleição, que é um ponto contrário, você tem coisas positivas. Estou otimista para o segundo semestre do Brasil", prosseguiu.

Perguntado sobre quais medidas econômicas gostaria de ver sendo debatidas pelos candidatos à Presidência, o empresário não quis opinar. "O que a gente precisa ter no Brasil é uma eleição bacana, um processo tranquilo, então o primeiro passo para a gente sair vencedor na frente", resumiu.

O Inter transferiu nesta quinta (23) suas ações para a Bolsa americana Nasdaq, ao mesmo tempo em que retirou as ações da Bolsa brasileira, a B3. Com isso, a sede da empresa passa a ser nos EUA, e serão negociados no Brasil apenas BDRs, certificados que representam as ações da empresa. O movimento busca captar mais recursos de investidores estrangeiros e aumentar a presença do banco no mercado americano.

A companhia começou como um banco e agora se posiciona como uma empresa de tecnologia que oferece serviços variados, como um marketplace, seguro e transferências de dinheiro internacionais. João é filho de Rubens Menin, dono da construtora da MRV e da CNN Brasil, entre outros negócios.

Apesar de o mercado dos EUA enfrentar um momento turbulento, no qual IPOs estão sendo adiados ou revistos, Menin também diz ver oportunidades.

"O mercado de capitais sofre um pouco com a subida dos juros. A Bolsa vem caindo nos Estados Unidos, Nasdaq, Dow Jones. Por um lado é um momento interessante para fazer essa migração. Como a gente não está levantando dinheiro, capital novo, você não está levando mais [recursos] porque o preço está maior ou menor. É diferente. Por outro lado, você cria um entring point [ponto de entrada] interessante. Quando o mercado cede um pouco, ele se estabiliza à medida que as pessoas começam a se posicionar. Ah, num preço x eu não queria comprar, mas agora num preço x menos 10%, eu quero posicionar", projeta.

Questionado sobre o risco de demissões, em um momento que outras empresas de tecnologia brasileiras têm dispensado pessoal, Menin afirmou que o Inter não corre riscos.

"A gente não precisa e não está demitindo. Porque a gente tem uma estrutura empresarial, receitas, capital, muito robusta. Diferentemente de algumas empresas de tecnologia que às vezes têm muito pouco capital, muito pouca receita, e não conseguem sustentar a base de funcionários. Nosso caso é diferente. Fizemos quatro ofertas nos mercados. Um IPO no Brasil em 2018 e mais três follow-ons".

"Os bancos são muito medidos pelo índice de Basileia, e o nosso é de 35%, altíssimo. A gente está muito capitalizado, tem uma receita muito robusta. Diferentemente de algumas startups que não conseguem segurar os seus bons talentos, a gente consegue segurar, até porque esse é o melhor ativo que a gente tem", afirmou.

O Inter teve lucro de R$ 27 milhões no primeiro trimestre de 2022 e soma 20 milhões de clientes. A companhia conta com uma carteira de crédito ampliada de R$ 19,8 bilhões, patrimônio líquido de R$ 8,5 bilhões e R$ 38,5 bilhões de ativos totais.

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