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Brasil deve ser um dos principais prejudicados por crescimento mais lento da China

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***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 08.02.2019: Still de mão segurando uma calculadora científica. (Foto: Gabriel Cabral/Folhapress)
***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 08.02.2019: Still de mão segurando uma calculadora científica. (Foto: Gabriel Cabral/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Os sinais de desaceleração da economia chinesa no terceiro trimestre são uma péssima notícia para países dependentes de commodities (os produtos básicos), como o Brasil.

Embora, pelo tamanho da China, o crescimento global deva ser afetado como um todo, a economia brasileira deve ser uma das maiores prejudicadas, com a consolidação de um cenário de desempenho mais fraco do país asiático nos próximos anos.

Afetada por uma crise de energia, interrupções nas cadeias de abastecimento, surtos da variante delta do coronavírus e o agravamento das dívidas do setor imobiliário, a economia chinesa cresceu em ritmo mais lento no terceiro trimestre.

Dados divulgados nesta segunda-feira (18) mostram que o PIB (Produto Interno Bruto) do país asiático cresceu 4,9% de julho a setembro, o ritmo mais fraco desde o terceiro trimestre de 2020 e desacelerando 7,9% em relação ao segundo trimestre.

O resultado demonstrou uma desaceleração em relação à expansão de 18,3% no primeiro trimestre, quando a taxa de crescimento anual foi amplamente favorecida pela base fraca de comparação com a queda induzida pela pandemia no início de 2020.

Nas contas dos economistas do Itaú Unibanco, para cada 1 ponto percentual de queda no PIB da China, o PIB brasileiro tem uma retração de 0,3 p.p. A projeção atual do banco é que a economia chinesa cresça 5,1% no ano que vem (ante estimativa anterior de 5,8%). Para o Brasil, a expectativa é de crescimento de 0,5% em 2022.

"Portanto, se a desaceleração persistir e a China crescer 4% em 2022, o Brasil, vai crescer apenas 0,2%", resume Luka Barbosa, economista do Itaú Unibanco. Ele lembra que países exportadores de commodities, como o Brasil, tendem a ter um impacto grande da desaceleração chinesa.

A economista Laura Pitta, também do Itaú Unibanco, acrescenta que pesou sobre a China o impacto nos serviços da variante delta, que se espalhou rapidamente pelo país.

"Como a China tem uma política de tolerância zero para novos casos de Covid-19, o governo adotou medidas de restrições que tiveram impacto na atividade, enquanto outros países caminhavam para uma situação de convivência com o vírus."

Ela lembra que o processo de desaceleração do país asiático é estrutural, e que as taxas de crescimento anuais na casa de 10%, como ocorreu nos anos 2000, se deram em um contexto diferente, por se tratar de um período de forte urbanização do país.

"Hoje, a perspectiva de crescimento é de convergência para patamares perto do de países desenvolvidos. É difícil imaginar a China crescendo mais do que 7% ou 8% daqui para frente."

Os efeitos globais da perda de fôlego na China já estão aparecendo e vão continuar mais fortes, avalia Roberto Dumas Damas, professor de economia do Insper. Ele lembra que pesaram sobre o desempenho chinês os projetos de mudança da matriz energética do país, para alternativas mais limpas, o que fez com que o governo desativasse minas de carvão, gerando uma crise de energia agora.

"A crise não é só na China, mas ela veio piorar os planos de recuperação do Brasil, com aumento de preços de defensivos agrícolas chineses, o que vai pesar nos preços dos alimentos no Brasil lá na frente, além da diminuição nas exportações de minério de ferro."

Com uma entrada menor de dólares no Brasil, o câmbio também deve continuar pressionado, diz Dumas.

"Na saída do pior momento da pandemia, quando a economia brasileira mais precisava de tração, estamos vendo esse impulso cair, e o Banco Central deve continuar tendo de subir juros para combater a inflação—são vários fatores contrários ao nosso crescimento no ano que vem."

"O quarto trimestre não deve ser bom lá também, e a recuperação do mundo não vai como se esperava. E no Brasil, estamos cada vez mais próximos de uma estagflação", avalia o professor.

Para Welber Barral, consultor e ex-secretário de Comércio Exterior do Brasil, fundamentalmente, o impacto da desaceleração chinesa deverá se dar nos preços das commodities.

"Ninguém espera que a China deixe de comprar do Brasil, mas a questão é o valor. Há, hoje, um preço futuro que leva em conta a demanda deles, e esses preços podem continuar caindo para outros produtos, como já está acontecendo com o minério de ferro."

Embora Barral considere que as commodities agrícolas —como a soja e o milho— estão mais protegidas que as minerais, é preciso levar em consideração que uma queda de preços nos grãos pode ter um efeito importante sobre a balança comercial brasileira.

No Brasil, a desaceleração da indústria chinesa reduz a demanda por petróleo, ferro e aço, avalia João Leal, economista da Rio Bravo. "Essas commodities perdem força e trazem uma pressão de baixa. O Brasil, assim, pode ser um dos países que mais sofrem com essa perda de fôlego chinesa. Sobre as commodities agrícolas, devem sofrer menos, embora alguma redução acabe ocorrendo."

A segunda maior economia do mundo se recuperou da pandemia, mas a retomada perdeu fôlego pela queda na atividade industrial, consumo mais fraco e desaceleração do setor imobiliário —com as dificuldades enfrentadas pela gigante imobiliária Evergrande, que acumula dívida de mais de US$ 300 bilhões.

Para o economista do Iedi (Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial) Rafael Cagnin, a desaceleração mostra um novo capítulo para a economia chinesa, que deve ser marcado por um crescimento um pouco mais modesto e que já vinha sendo antecipado desde a crise de 2008.

"Agora, o que temos é um acúmulo de efeitos. Além da questão energética, que pegou muita gente desprevenida, há desafios crescentes, como a escassez de parte de componentes industriais, como chips, a questão de um endividamento do setor imobiliário, gargalos logísticos de contêineres."

Se a China começa a crescer menos, a demanda por produtos brasileiros inevitavelmente vai diminuir, diz o presidente executivo da AEB (Associação de Comércio Exterior do Brasil), José Augusto de Castro.

"Nesse mar de incertezas, há dois possíveis efeitos positivos para o Brasil: ao ter de fechar fábricas, para compensar a crise de energia, a China pode abrir espaço para aumentar a importação de produtos beneficiados, como óleo e farelo de soja, e o Brasil poderia aproveitar esse movimento."

Em segundo lugar, Castro acrescenta que o Brasil poderia se beneficiar de um movimento de descentralização das cadeias globais de produção, com a produção industrial crescendo em diferentes partes do mundo, para reduzir a dependência da indústria chinesa.

A economista do Bradesco e diretora de Economia do CEBC (Conselho Empresarial Brasil-China), Fabiana D'Atri, pondera que as principais razões para a desaceleração chinesa se dão por uma opção do governo de controlar o setor imobiliário e os graves problemas ambientais do país.

"Há uma opção por um crescimento menor, pelas políticas que o governo chinês está adotando. No nosso cenário, trabalhamos com um crescimento abaixo de 5% da China no ano que vem."

Ela ressalta que se o efeito do desempenho do país nas commodities metálicas é evidente, nos produtos básicos do agronegócio o impacto é bem distinto.

"É parte dos planos do governo chinês fortalecer o mercado consumidor interno e reduzir a desigualdade de renda. O menor crescimento do PIB chinês não deve impactar na demanda por alimentos."

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