Mercado abrirá em 7 h 25 min
  • BOVESPA

    107.557,67
    +698,80 (+0,65%)
     
  • MERVAL

    38.390,84
    +233,89 (+0,61%)
     
  • MXX

    50.918,28
    +312,72 (+0,62%)
     
  • PETROLEO CRU

    71,90
    -0,15 (-0,21%)
     
  • OURO

    1.788,60
    +3,90 (+0,22%)
     
  • BTC-USD

    50.242,11
    -839,67 (-1,64%)
     
  • CMC Crypto 200

    1.300,77
    -20,50 (-1,55%)
     
  • S&P500

    4.686,75
    +95,08 (+2,07%)
     
  • DOW JONES

    35.719,43
    +492,40 (+1,40%)
     
  • FTSE

    7.339,90
    +107,62 (+1,49%)
     
  • HANG SENG

    23.954,91
    -28,75 (-0,12%)
     
  • NIKKEI

    28.881,58
    +425,98 (+1,50%)
     
  • NASDAQ

    16.409,50
    +91,50 (+0,56%)
     
  • BATS 1000 Index

    0,0000
    0,0000 (0,00%)
     
  • EURO/R$

    6,3522
    +0,0125 (+0,20%)
     

Brasil deve avançar no mercado de carbono, diz presidente do Banco Central na COP26

·3 min de leitura
***ARQUIVO***BRASÍLIA, DF, 01.10.2020 - O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
***ARQUIVO***BRASÍLIA, DF, 01.10.2020 - O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

GLASGOW, ESCÓCIA (FOLHAPRESS) - O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, afirmou nesta quarta-feira (3) que este é o momento de avançar em um ponto no qual o Brasil vinha bloqueando as negociações climáticas: o chamado artigo 6 do Acordo de Paris, que estabelece regras básicas para o mercado de carbono.

"Vou me arriscar um pouco e sair das minhas atribuições para dizer que esta é a grande oportunidade para fecharmos o artigo 6. É muito importante desenvolver a precificação do carbono", afirmou o economista, em palestra virtual exibida no estande brasileiro da COP26, conferência climática que acontece em Glasgow (Escócia) até 12 de novembro.

A declaração é mais uma indicação de que o Brasil está determinado a apagar a imagem de "vilão do clima" com que saiu da última COP, quando o então ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, foi um dos principais responsáveis por impedir um acordo sobre esse tema.

De acordo com Campos Neto, possibilitar financiamentos sustentáveis é cada vez mais relevante, porque a preocupação ambiental chegou "com força" a setor financeiro, depois de passar pelos de energia e de alimentos.

De acordo com ele, investidores e fundos de investimento, de private equity (investimento direto em companhias), de infraestrutura e de construção exigem produtos ESG (sigla em inglês para responsabilidade social, ambiental e de governança).

"Por que essa terceira onda é tão poderosa? Porque está na verdade impedindo alguns países e algumas companhias de receberem investimentos estrangeiros", disse o presidente do BC.

Um exemplo desse obstáculo foi anunciado nesta mesma quarta, na COP26: mais de 450 instituições financeiras de 45 países, com ativos de US$ 130 trilhões (quase R$ 730), se comprometeram a chegar a 2050 com todos os seus investimentos alinhados com a meta de zero emissão líquida de gases de efeito estufa.

Por causa dessa tendência, o BC deve tornar mais rigorosa sua análise de riscos climáticos e sociais, segundo Campos. Até dezembro, vai aumentar a coleta de dados sobre quanto dos investimentos dos bancos brasileiros tem potencial de causar danos ambientais ou sociais.

O controle também será maior sobre os investimentos em atividades que podem ser afetadas pela crise climática ou pela transição energética --a redução da geração baseada em carvão e petróleo e o aumento das fontes renováveis, como hidrelétricas, geração eólica e solar.

Até abril do próximo ano, ele quer também incluir esses riscos ambientais e sociais nos testes de estresse, pelos quais o Banco Central avalia a saúde financeira dos bancos. "No mundo há países que tornaram isso obrigatório, e queremos resultados rápidos", disse.

Campos Neto afirmou que a crise climática afeta diretamente as duas responsabilidades do Banco Central: manter estabilidade de preços e do sistema financeiro.

"O clima afeta a política monetária muito fortemente. Estamos vendo isso no Brasil neste ano, com a onda de calor, depois as geadas e as interrupções em cadeias de suprimento, que elevaram preços de alimentos e commodities."

Por causa disso, a inflação deste ano pode chegar perto de 10%, segundo a previsão de economistas, o que tem levado o BC a aumentar a taxa de juros.

Do lado da estabilidade bancária, Campos Neto afirmou que eventos climáticos podem fazer crescer a inadimplência, o que afeta o balanço dos bancos.

O BC quer acelerar uma pauta de finanças sustentáveis, que, segundo o presidente do órgão, inclui uma parceria com a Climate Bonds Initiative para desenhar um mercado de títulos verdes (papéis de empreendimentos sustentáveis). "Queremos estar sintonizados com as regras globais, para garantir a emissão dos títulos e permitir que o dinheiro flua."

Campos Neto disse ainda que até dezembro deve implantar um mecanismo de liquidez financeira sustentável, no qual os bancos poderão obter empréstimos usando como garantia títulos verdes, o que deve acelerar a emissão desses papéis.

O outro caminho para mobilizar os fluxos financeiros globais é o mercado de carbono, de acordo com o presidente do BC, para quem "a transição climática vai impor custos crescentes e desafios para a economia e a sociedade".

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos