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Brasil é destaque negativo em semana de pânico global

Vinícius Andrade e Aline Oyamada


O Brasil foi um dos países mais prejudicados pelo pânico nos mercados financeiros globais nesta semana.

O real, a moeda de pior desempenho do mundo este ano, se desvalorizou 3,4% em relação ao dólar na semana, a despeito das diversas intervenções do Banco Central. O Ibovespa caiu cerca de 5%, levando sua perda acumulada no ano a 14%, também entre as piores do globo. Em dólar, a bolsa brasileira já tem a pior performance entre os principais índices globais de ações.

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Investidores ao redor do mundo estão cada vez mais pessimistas com o impacto da epidemia de coronavírus na economia global, mas as perdas no Brasil foram exacerbadas por fatores domésticos, incluindo um drama corporativo e a crescente preocupação com as perspectivas da maior economia da América Latina. A derrocada é especialmente dolorosa para os investidores que acumularam ações depois que o Ibovespa foi protagonista de um dos maiores ralis do mundo no ano passado.

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“Parece um sell-off sem fim”, disse Brendan McKenna, estrategista de câmbio no Wells Fargo, em Nova York. “O BC precisa ser mais agressivo com suas intervenções. Elas não foram tão significativas quanto os mercados provavelmente gostariam.”

O real enfrenta seu pior início de ano desde 1999 ainda que o BC tenha vendido US$ 9,5 bilhões em swaps cambiais no mês passado, em uma tentativa de conter a volatilidade.

A alta do dólar está piorando as perspectivas para as companhias aéreas locais já preparadas para sofrer um duro golpe com a desaceleração global nas viagens devido ao coronavírus. A Gol e a Azul perderam pelo menos um terço de seus valores de mercado este ano.

A agência de viagens CVC Brasil - que também divulgou ter encontrado “erros contábeis” em seus balanços - caiu quase 50% este ano.

E aí veio o IRB, que perdeu cerca de 60% de seu valor de mercado enquanto buscava conter as consequências de declarações dadas por seus executivos de que Berkshire havia aumentado sua posição na empresa por meio da Berkshire Hathaway International Insurance, o que foi porteriormente desmentido e levou à renúncia do CEO, José Carlos Cardoso, e do vice-presidente executivo, financeiro e de relações com investidores, Fernando Passos.

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Embora represente menos de 1% do Ibovespa, a resseguradora foi um dos grandes responsáveis pelo declínio do índice, de acordo com dados da Bloomberg.

Decepção com dados econômicos e previsões menores para o PIB brasileiro neste ano também pesam sobre os ativos brasileiros - especialmente no câmbio, usado frequentemente como hedge de posições compradas em ações e renda fixa. O BC sinalizou na terça-feira um provável corte de juros em sua reunião de 18 de março, que retomaria o ciclo de flexibilização que os mercados pensavam ter acabado. O comunicado do BC colocou pressão extra sobre o câmbio e levou a curva de juros a precificar totalmente um corte de 0,25 pp na Selic.

O Ibovespa caía mais de 4% nesta sexta-feira por volta das 16:35 em São Paulo, rumo à terceira semana seguida de perdas. Os juros futuros subiam na parte longa da curva. O CDS Brasil de 5 anos, na plataforma CBIN, avançava para 142 pontos-base, nível intradiário mais alto desde outubro de 2019.

É difícil ver algum rali até que a onda de disseminação do vírus reflua, disse Ray Zucaro, diretor de investimentos da RVX Asset Management, em Miami.

*Com a colaboração de Fernando Travaglini e Brendan Walsh