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    Com reposição de estoques, ociosidade da indústria atinge mínima em 5 anos

    RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Com o crescimento da demanda por materiais elétricos, a fabricante Exatron, localizada em Canoas (RS) contratou novos empregados, decidiu ampliar turnos e terceirizou processos que não dá conta de fazer hoje. A Lorenzetti, sediada em São Paulo, também reforçou a mão de obra e, mesmo assim, está com dificuldades para entregar novas encomendas no prazo normal. Fornecedora de PVC para o setor, a empresa química Unipar voltou a rodar suas fábricas em Santo André (SP) e Baía Blanca, na Argentina, a todo vapor, depois bater os 40% de ociosidade no período mais agudo da crise, quando teve até que contratar silos para guardar estoques que ficaram sem mercado com a paralisação da economia. Beneficiada pelo aquecimento do mercado de materiais de construção, a cadeia dos materiais elétricos exemplifica um movimento de recomposição dos estoques que vem levando a indústria brasileira a atingir níveis de utilização da capacidade instalada superior até mesmo a antes da pandemia. O cenário, porém, é visto por empresários e especialistas como pontual, resultado da desorganização das cadeias produtivas durante os meses de isolamento restrito. Sua manutenção vai depender do ritmo de recuperação da economia e do mercado de trabalho após o fim do auxílio emergencial, em dezembro. Dados preliminares divulgados pelo Ibre/FGV na segunda indicam que o nível de utilização da capacidade da indústria fechará o mês em 78%, alta de 2,7 pontos percentuais em relação a agosto e melhor número desde março de 2015. Em abril, considerado por economistas o pico da pandemia, o indicador bateu o piso histórico de 57,3%. "A pandemia ficou só no segundo trimestre. No terceiro trimestre, a indústria começou a se recuperar e pode ser até que volte ao nível de antes da pandemia já em setembro", diz a economista responsável pela análise da pesquisa do Ibre, Renata de Mello Franco. O índice de confiança da indústria medido pelo instituto deve atingir 105,9 em setembro, o maior desde os 106,7 pontos registrados em janeiro de 2013. Franco ressalta, porém, que os dados comprovam avaliações de que a recuperação é desigual, com mais ênfase em setores voltados a bens essenciais, produtos do lar e materiais de construção. É o caso, por exemplo, da Exatron, que abriu novos turnos, contratou 20 novos funcionários e está investindo cerca de R$ 2 milhões em equipamentos para expandir a capacidade de produção e dar conta da demanda acelerada. "A gente trabalhava em um turno só em algumas linhas de montagem e agora estamos em dois turnos. No processo de injeção de termoplásticos, eram 20 horas por dia e agora são 24 horas. E estamos terceirizando algumas linhas que não conseguimos fazer", diz o diretor-presidente da empresa, Regis Haubert. A Lorenzetti, mais conhecida pelos chuveiros, mas que vende também metais sanitários, aquecedores de água e outros produtos voltados ao lar, ampliou em 321 pessoas seu quadro de funcionários e, mesmo com a produção a todo vapor, está pedindo 20 dias de prazo para entregar novas encomendas. "Quando a gente fez o plano de vendas ano passado, achava que ia crescer 10% mas estamos crescendo 22%", diz o diretor-presidente da companhia, Eduardo Coli. Hoje, a empresa, que tem 5.300 funcionários, está com os quatro centros de distribuição vazios, sem estoques. "Em abril nossas vendas caíram mais de 75%, pela paralisação do mercado como um todo. Em maio, as vendas melhoraram um pouco, ficaram em torno da metade. Em junho, já voltaram para o patamar pré-pandemia", conta o diretor-presidente da Unipar, Maurício Russomano. No pior período de venda, diz ele, os estoques de PVC chegaram a bater três vezes o volume normal. Hoje, a empresa precisa produzir a toda capacidade para atender ao elevado número de pedidos. Parte da produção na Argentina está sendo destinada ao Brasil para dar conta do recado. Com o maior otimismo, alguns setores já falam em retomar investimentos. No setor de eletroeletrônicos, no qual 82% dos empresários acham que a situação melhorou, 46% das empresas falam em investir este ano. Outros 31% preveem aportes no ano que vem. "O processo de retomada está em marcha, como também vêm demonstrado nossos indicadores de produção e emprego", diz o presidente da Abinee (Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica), Humberto Barbato. Presidente da Abimei (Associação Brasileira dos Importadores de Máquinas e Equipamentos industriais), Paulo Castelo Branco, afirma que a demanda já torna mais longos os prazos de entrega de alguns tipos de equipamentos de usinagem, corte de metal e plástico. Os números do Ibre mostram, no entanto, que o otimismo da indústria se resume ao curto prazo. No longo prazo, há ainda um sentimento de insegurança. "O indicador de expectativa indica otimismo para os próximos três meses; o de produção está alto e o de emprego também está alto. Mas o de ambiente de negócios ainda está bem baixo", diz a economista do instituto. Este último, ressalta, aponta a visão sobre o cenário nos próximos seis meses e indica que o temor com relação ao prazo para a chegada de uma vacina ou à possibilidade de segunda onda de contaminação vêm afetando a confiança em uma retomada duradoura. "Os números apontam melhora no curto prazo, mas muita incerteza para o longo prazo", conclui ela. O presidente da Abiquim (Associação Brasileira da Indústria Química), Humberto Barbato, acrescenta que o cenário atual repete padrões de outras crises econômicas: sem encomendas, a indústria reduz produção, os estoques acabam e, quando o consumidor volta às lojas, a cadeia precisa se reorganizar. "Não acredito que seja sustentável", afirma, mesmo que o setor químico apresente hoje um nível de utilização da capacidade, de 76%, superior inclusive à média de 2019. "As empresas estão muito endividadas, a gente vai demorar outro ano para vencer os efeitos desse período que foi muito duro" "Minha expectativa é que nos próximos um ou dois meses, a situação se regularize", concorda Russomano, da Unipar. "A essa altura todo mundo já deve estar começando a se estocar novamente."

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    Publicitários negros criam agências com foco em diversidade

    SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O incômodo de trabalhar com equipes apenas de pessoas brancas com ou uma única pessoa negra e as dificuldades de conseguir espaço no mercado publicitário impulsionam jovens negros a criar suas próprias agências. Foi o que deu origem ao Gana, projeto formado por seis publicitários negros há um ano. O coletivo, com foco em conteúdo, podcast, design e audiovisual, tenta mostrar como a diversidade pode ampliar o olhar e apresentar reflexos na qualidade dos produtos finais. "O nome que a gente quer não é agência. Queremos trabalhar outros formatos, somos mais um estúdio de criatividade", explica Ary Nogueira, 41, um dos responsáveis pelo Gana. O grupo tem quatro clientes frequentes e outros projetos pontuais e se propõe a "pensar o futuro da propaganda com um espaço que é conquistado, e não cedido", afirma Ary, que é diretor de arte. Do portfólio eles destacam trabalhos com a Boogie Naipe --produtora que administra a carreira dos Racionais MC's--, Oliver Press, Ponte Jornalismo e a Trace TV, que chegou recentemente ao Brasil. "Falamos as diversas línguas das periferias do Brasil porque crescemos nelas. Conhecemos as estratégias para conversar com o público negro porque somos esse público. E somos maioria no país. Nossa cultura cria ideias que correm o mundo", diz o texto de apresentação da agência. Em setembro de 2019, grandes agências de publicidade do país celebraram um acordo com o Ministério Público para a inclusão de jovens negros universitários em seus grupos de colaboradores. "A representatividade desses profissionais no setor é de 3%", diz Valdirene de Assis, procuradora do Ministério Público do Trabalho em SP e coordenadora do Projeto Nacional de Inclusão de Jovens Negros Universitários. Mas ela diz já ver progressos. "As inclusões estão acontecendo. Além disso, o produto que a publicidade tem entregado para a nossa sociedade está mais diverso do ponto de vista étnico-racial." Segundo a procuradora, o setor de publicidade foi selecionado não só pela pequena representatividade de profissionais negros mas também "pelo poder de persuasão que a publicidade exerce no público em geral". "Infelizmente não podemos dizer ainda que a população negra consegue se enxergar na publicidade que é apresentada no Brasil." Foi justamente essa invisibilidade que inspirou os criadores do Mooc (Movimento Observador Criativo), cinco anos atrás. "Já fizemos trabalhos com Facebook, Ambev, Faber Castell e Avon", diz Kevin David, 26, um dos sócios da agência. "A gente quis contar nossas histórias. A Mooc surgiu porque não não nos víamos, não nos sentíamos representados", diz o jovem, que também é diretor de criação. "A mudança é muito tímida ainda, mas há melhora aos poucos. Se a maioria da população é negra, por que isso não aparece nas agências?", questiona Levis Novaes, 28 anos, outro sócio da Mooc. "Queremos uma diversidade de forma autêntica." Outra preocupação dos sócios é com o suporte dado aos jovens negros depois que entram nas agências. "Não estão contratando o preto por acreditarem que ele é bom, estão só querendo cumprir sua cota na empresa. O quanto você está disposto a ajudar acelerar esse profissional, ajudar a evoluir?", questiona Kevin. O publicitário Felipe de Souza Silva, 37, redator na Y&R;, decidiu criar um projeto que pudesse ajudar a capacitar os jovens que sonham em entrar na área publicitária. "A Escola Rua surgiu da minha experiência como homem preto e periférico na criação. Não fiz faculdades de elite, não tive dinheiro para cursos caros de criatividade. Levei quase diz anos para ver outro negro na criação de uma agência em que trabalhava", diz Felipe. "Então, pensei em criar uma escola de criatividade. No mesmo modelo das mais caras, mas voltada para o público preto, periférico, feminino e LGBT." O curso, que é grátis, contou com o apoio da Y&R; e formou em 2019 a primeira turma de 12 alunos, dos quais 9 estão empregados em grandes agências. "Acho que coletivos são formas potentes de atuar no mercado. Não são apenas uma forma de inserir pessoas negras, mas de trazer protagonismo para nosso trabalho." Criada por Ricardo Silvestre, a Black Influence tem foco em personalidades digitais. "É uma agência especializada em influenciadores e criadores de conteúdo pretos ou periféricos. Nosso objetivo é conectar esses perfis às marcas para ajudá-las a se comunicarem de maneira saudável e assertiva com a comunidade." O publicitário de 24 anos deu início ao projeto um ano atrás. Tem dois funcionários e contrata freelancers conforme surgem clientes. A maioria dos colaboradores é negra. "Já trabalhei em algumas das maiores agências de propaganda do Brasil, e nelas eu sempre fui um dos únicos profissionais pretos. Em uma das minhas últimas passagens por esses lugares, eu tive um 'burnout' decorrente de situações preconceituosas e ambientes tóxicos. Foi quando eu decidi empreender", diz o criador da Black Influence. Além de agenciar influenciadores, a agência oferece consultoria de negócios com foco em diversidade.

  • EUA e China trocam acusações na ONU em clima de nova 'Guerra Fria'
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    AFP

    EUA e China trocam acusações na ONU em clima de nova 'Guerra Fria'

    Os Estados Unidos e a China trocaram duros ataques nesta terça-feira (22), no início da Assembleia Geral da ONU, ilustrando o risco de uma nova "Guerra Fria" entre as duas grandes potências mundiais em meio à pandemia do coronavírus.