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Brasília em Off: O risco de Alckmin no Ministério da Fazenda

(Bloomberg) -- A possibilidade de Geraldo Alckmin ser o escolhido como ministro da Fazenda num eventual governo de Luiz Inácio Lula da Silva gera uma especulação entre aliados. Ao colocar o companheiro de chapa no ministério mais importante, Lula poderia tornar Alckmin indemissível, o que é sempre arriscado.

Mas quem defende a ideia do ex-governador de São Paulo no comando da equipe econômica afirma que o risco vale a pena. Alckmin é um fiador importante do compromisso de Lula com uma agenda econômica que agrada ao mercado financeiro.

A aliança entre os dois ex-inimigos políticos é vista como o maior sinal até agora de que o ex-presidente está disposto a se afastar da ala radical do PT e se aproximar das visões moderadas do ex-governador.

O afastamento de Ciro Gomes

Passado o primeiro turno da eleição presidencial, PDT e Ciro Gomes devem seguir caminhos separados. O partido apoiará Lula enquanto o candidato deve passar a militar em favor do voto nulo.

Pesquisas qualitativas do partido indicam que Ciro deve terminar com apenas 4% dos votos e integrantes da sigla já torcem para que ele saia do cenário eleitoral. Afirmam que ele tem trabalhado com o fígado agora e exagera na polarização já mirando na eleição de 2026 -- seria o fim da era Lula caso o petista consiga se eleger agora, ou o auge de um tensionamento com a democracia se a vitória for de Bolsonaro. Assim, Ciro surgiria como o nome mais competitivo para a eleição futura.

Moro

O ministro da Economia, Paulo Guedes, foi alertado por diversas autoridades de Brasília a não fazer nenhuma manifestação de apoio a Sergio Moro, candidato ao Senado pelo Paraná.

O ex-juiz pediu ao ministro uma declaração de apoio a sua candidatura. Guedes estava inclinado a se manifestar, mas discutiu o assunto com outros integrantes do governo e foi convencido de que Moro está queimado em Brasília. O apoio não pegaria bem para um ministro do governo Bolsonaro.

Guedes, aliás, havia sugerido que Moro concorresse a deputado federal, e não a senador.

Reservas

Integrantes da equipe econômica afirmam que a proposta de Guedes de criar uma meta para as reservas internacionais, que se tornaria uma referência para o mercado de câmbio, ainda está num horizonte muito distante.

Guedes busca meta para reservas internacionais: Fontes

Embora faça parte de um plano de reformas que o ministro quer implementar caso Bolsonaro se reeleja, a ideia não está nada amadurecida. Na verdade, afirmam, antecipar o tema só trouxe ruído desnecessário e num campo que não está restrito à pasta de Guedes, pois também envolve o Banco Central.

Derrapada

Falar em corrigir a tabela do Imposto de Renda para pessoas que ganham até 5 salários mínimos foi uma derrapada de Lula. A equipe técnica chamou o ex-presidente e disse que o governo poderia até corrigir a tabela do IR caso ele seja eleito, mas não nesse patamar.

Melhor, dizem interlocutores, seria focar em propostas que já estão sobre o mesa, como correção real do salário mínimo, num novo programa de renegociação de dívidas e num programa social de R$ 600 com adicional de R$ 150 para famílias com crianças de até 6 anos.

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