Mercado abrirá em 5 h 33 min

Brasília em Off: O pior cenário para Guedes e as reformas

Martha Beck
·2 minuto de leitura

(Bloomberg) -- Os candidatos mais fortes para o comando das duas casas do Congresso a partir de 2021 são da turma “gasto na veia” e podem dar trabalho para a equipe econômica, afirmam dois caciques políticos. O líder do Centrão, deputado Arthur Lira (PP-AL), favorito na Câmara, e o senador Eduardo Braga (MDB-AM), no páreo para o Senado, são parlamentares experientes e com coragem para bancar medidas de expansão fiscal, incluindo flexibilizações no teto de gastos, dizem as fontes.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, tem dito a interlocutores que Lira, já apoiado pelo presidente Jair Bolsonaro, seria um bom nome porque prometeu ao governo avançar na agenda de reformas no pós-pandemia. Mas as fontes lembram que Lira é da turma do toma lá dá cá e Guedes, como já admitiu várias vezes, entende de economia e não de política.

Lira fortalecido

O MDB quer o comando do Senado a partir de 2021. Para isso, o partido está disposto a deixar o bloco de apoio a um nome do deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ) para o comando da Câmara, o que fortaleceria Lira ainda mais. Se for preciso abandonar Maia em troca do apoio de outras legendas para ganhar o Senado, o MDB não vai pestanejar, afirma um cacique do partido.

Sem 3D

O plano 3D de Guedes -- desindexar, desvincular e desobrigar despesas do orçamento -- já era. A ideia da proposta era garantir a manutenção do teto de gastos, especialmente a partir de 2022 mas, sem apoio nenhum de Bolsonaro, o tema não será tratado, afirmou um líder no Congresso.

O máximo que pode acontecer, diz o líder, é aprovar a PEC emergencial, que traz gatilhos de controle de gastos caso a relação entre receitas e despesas esteja próxima de 100%. Vale lembrar que governo não conseguiu fechar acordo para votar a PEC em 2020 e fracassou também numa tentativa de incluir esses gatilhos em um projeto da Câmara no apagar das luzes do ano legislativo.

‘Morto Politicamente’

Outra proposta que não passa de jeito nenhum é o imposto digital que Guedes quer criar para desonerar a folha de pagamento das empresas. O assunto, segundo o líder no Congresso, está morto politicamente. Ainda assim, Guedes deve insistir na ideia -- como fez com o regime de capitalização na reforma da Previdência -- até o final.

Saldão

A Economia voltou a ser alvo de ataques para dar maior espaço ao centrão dentro do governo. Uma ideia que voltou à mesa é recriar o Ministério da Previdência e Trabalho. Guedes não topa, ao menos por enquanto. Em audiência pública na semana passada, o ministro disse que a ação coordenada da equipe econômica para combater a pandemia só foi possível graças a uma centralização de ministérios em suas mãos.

Tweets da semana

For more articles like this, please visit us at bloomberg.com

Subscribe now to stay ahead with the most trusted business news source.

©2020 Bloomberg L.P.