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Brasília em Off: Microcrédito é nova fonte de discórdia

Martha Beck
·3 minuto de leitura

(Bloomberg) -- Os planos para o pós-pandemia já provocam embates em Brasília. A Economia discorda da forma como o Ministério da Cidadania quer ampliar o programa de microcrédito; integrantes da equipe econômica gostam da ideia de trabalhadores informais trocarem o auxílio emergencial por um crédito que os permita cuidar do próprio negócio a partir do ano que vem, mas não às custas de mais aporte de dinheiro público em fundos garantidores ou mais direcionamento de compulsório para microcrédito.

Segundo um técnico da Economia, a demanda por esse tipo de recurso hoje está em torno de R$ 2 bilhões, abaixo dos cerca de R$ 4 bilhões já oferecidos no mercado. O que precisa ser feito é uma desburocratização e simplificação de procedimentos que não comprometam a consolidação fiscal, diz o técnico.

Imposto digital

O Ministro Paulo Guedes já preparou a narrativa para tentar convencer o presidente Jair Bolsonaro a abraçar a criação de um imposto digital: a situação do mercado de trabalho no pós-pandemia.

A visão na Economia é que a retomada do emprego não virá na mesma proporção que o PIB, com fim de programas de preservação de empregos e do auxílio emergencial aumentando o índice de desemprego, hoje em 14%. Para Guedes isso é mais do que suficiente para que seja criado um tributo que desonere a folha de pagamento das empresas, disse uma fonte da equipe econômica.

Imposto negativo

O governo decidiu acelerar a preparação de medidas voltadas para a população de baixa renda diante do impasse sobre a fonte de financiamento para o novo programa social que deveria substituir o auxílio emergencial. Uma delas é o chamado imposto de renda negativo, que prevê a concessão de um crédito para trabalhadores com menores salários a partir da renda declarada, disseram duas pessoas com conhecimento do assunto.

A medida ainda tem que ser calibrada em função de seus custos, que variam de acordo com a faixa de renda que o governo quer beneficiar com a medida. A proposta de Guedes é usar parte dos dividendos pagos por estatais ao Tesouro para conceder o crédito. Os técnicos da Economia, no entanto, admitem que o tema é tão complexo que vai levar até mais tempo do que decidir como financiar o programa social.

Autoconfiança

O secretário especial de Desestatização do Ministério da Economia, Diogo Mac Cord, chamou para si a responsabilidade pelo sucesso da privatização dos Correios. “O resultado vai depender da modelagem. Se não aparecer ninguém interessado, a culpa é minha. Eu terei sido incompetente no meu trabalho e eu, tradicionalmente, não gosto de fracassar”, afirmou ele. Embora a estatal esteja mergulhada em problemas com seu fundo de pensão e tenha um quadro inchado de funcionários, Mac Cord aposta na capilaridade da rede de imóveis da empresa como um atrativo “poderosíssimo” para o setor privado. A privatização dos Correios é uma das quatro que o ministro da Economia, Paulo Guedes, quer tirar do papel até o final de 2021.

Fidelidade

A Economia vê com estranheza a demora de Bolsonaro em parabenizar o democrata Joe Biden pela nos Estados Unidos, disse um integrante da equipe. Para essa fonte, Bolsonaro deveria ficar mais atento ao recado que os americanos deram nas urnas ao não concederem um segundo mandato a Donald Trump.

Injustiçado

Guedes vê como injustiça os ataques que recebe dentro e fora do governo na condução da política econômica, segundo um integrante do governo. O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, por sua vez, contaria com muito mais boa vontade dos críticos. Nada disso, no entanto, azeda a relação dos dois. Guedes diz a quem quiser ouvir que tem orgulho de ter Campos Neto em sua equipe num momento histórico em que a autonomia do BC acaba de ser aprovada pelo Senado.

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