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Brancos dos EUA têm mais acesso do que minorias a tratamento preventivo do HIV

Comprimidos de Truvada contra o HIV nas mãos de um médico da Clínica Whitman-Walker em Washington, 15 de maio de 2014

Um comprimido diário revolucionário ajuda a evitar a infecção pelo vírus HIV, causador da aids, mas novas estatísticas publicadas nesta terça-feira (3) pelas autoridades sanitárias dos Estados Unidos mostram que os brancos em risco têm mais acesso ao tratamento que negros e latinos.

As cifras publicadas pelos Centros para o Controle e a Prevenção de Doenças (CDC) ilustram a brecha que falta preencher para pôr um fim à epidemia de aids até 2030 no país, uma meta lançada pelo presidente Donald Trump em fevereiro.

As desigualdades raciais e sociais estão entre as maiores barreiras, começando com algo tão simples como ir a uma clínica e ter acesso ao medicamento, denominado PrEP, apenas por se expor ao risco de contrair o vírus.

"Podemos pôr fim ao status quo, mas temos que mudar nossas expectativas e pôr fim à cultura de satisfação em que nos encontramos", disse Jay Butler, vice-diretor de doenças infecciosas dos CDC por teleconferência.

Butler lembrou os três pilares da estratégia de combate ao HIV: generalização de testes; tratamentos imediatos e sistemáticos, e uma adoção muito mais ampla da PrEP.

A PrEP (profilaxia prévia à exposição) é autorizada nos Estados Unidos desde 2012 e agora é recomendada diariamente para homens que fazem sexo com outros homens, heterossexuais que têm comportamento de risco e pessoas que usam drogas injetáveis.

Dezoito por cento do 1,2 milhão de cidadãos em risco usaram PrEP em 2018, destacam os CDC em um estudo, contra 9% em 2016. O objetivo é que metade dessa população tome a medicação.

Mas esta cifra esconde disparidades raciais: o PrEP foi usado por 42% de brancos, 11% de latinos e 6% de negros.

E regionais: em Nova York, uma das localidades mais ricas do país, 41% da população em risco toma PrEP. Mas nos estados do sul, mais pobres e rurais, a proporção cai para menos de 15%.