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Brasil chega a 3 meses de transmissão acelerada do novo coronavírus, diz estudo

·3 minuto de leitura
Foto: Luis Alvarenga/Getty Images
Foto: Luis Alvarenga/Getty Images

A contaminação pelo novo coronavírus entrou na 14ª semana sem estar controlada no Brasil, mostram cálculos do centro de controle de epidemias do Imperial College, um dos principais do mundo.

Desde a semana de 27 de abril, o país tem taxa de contágio acima de 1, o que significa que a transmissão está se acelerando. Na semana que começou neste domingo (26), o índice, também chamado de Rt, subiu de 1,01 para 1,08. Isso quer dizer que cada 100 infectados por coronavírus no Brasil contaminam outros 108, que por sua vez infectam mais 116,6 e assim sucessivamente, ampliando o alcance da doença.

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Dos 25 países que apresentavam transmissão sem controle no começo de maio, 13 controlaram o contágio. Na América do Sul, estão nesse grupo o Chile, que reduziu o Rt para 0,91, e o Equador, que está com 0,9. Nesses dois países, cada 100 habitantes infectam outros 90, que passam o coronavírus para 81, depois 73, desacelerando a expansão da doença.

Além do Brasil, Argentina (1,42), Colômbia (1,26) e Peru (1,04) apresentam transmissão acelerada nos últimos quatro meses. Bolívia e Venezuela têm Rt de 1,16, mas estão há menos tempo sem conseguir controlar o contágio: na última semana, apresentavam índices de 0,9 e 1, respectivamente.

Especialistas em epidemias têm ressaltado que, como o Brasil é grande e diversificado, a velocidade da transmissão pode variar bastante de acordo com a região, como mostra o acompanhamento dos casos feito pela Folha: nesta quarta (29), eram 12 estados com contágio acelerado, 12 em transmissão estável, 2 desacelerados e 1 reduzido.

Há duas semanas, a OMS afirmou que o Rt brasileiro varia, geograficamente, de 0,5 a 1,5.

O Imperial College calcula a taxa com base no número de mortes reportadas, dado menos sujeito a subnotificações; como há uma defasagem entre o momento do contágio e a morte, mudanças nas políticas de combate à epidemia levam em média duas semanas para se refletirem nos cálculos.

Segundo as estimativas do centro britânico, o Brasil ainda é o país que terá o maior número de mortes por coronavírus nesta semana, 8.120, uma alta em relação à semana passada. Na Índia, são esperados 6.610 óbitos, e no México, 5.080 (os Estados Unidos não entram no relatório, pois seus dados são calculados por estado, em estudo à parte).

Com base nos óbitos relatados, o Imperial College estima também que o número de casos de contágio no Brasil seja cerca do dobro dos registrados.

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***Por Ana Estela de Sousa Pinto, da Folhapress

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