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Bradesco estreia letra financeira verde com emissão R$ 1,2 bi

ISABELA BOLZANI
·2 minuto de leitura
*ARQUIVO* SÃO PAULO, SP, 30.08.2016 - Fachada de agência do Bradesco em São Paulo. (Foto: Rubens Cavallari/Folhapress)
*ARQUIVO* SÃO PAULO, SP, 30.08.2016 - Fachada de agência do Bradesco em São Paulo. (Foto: Rubens Cavallari/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O Bradesco emitiu, nesta terça-feira (22), R$ 1,2 bilhão em LFVs (Letras Financeiras Verdes). As LFVs também podem ser chamadas de "green bonds" -títulos de dívida usados para captar recursos para implantar ou refinanciar projetos e compra de ativos sustentáveis.

O prazo do título é de 30 meses e o retorno é o CDI (Certificado de Depósito Interbancário) + 0,60% ao ano. A oferta foi privada (ficou entre assets e investidores institucionais) e foi a primeira LFV emitida pelo banco.

Segundo o vice-presidente do Bradesco, Cassiano Scarpelli, a emissão acompanha o movimento mais forte do mercado voltado para o ESG (melhores práticas ambientais, sociais e de governança, também conhecido como ASG).

"Sentimos uma boa demanda, algo próximo a R$ 2 bilhões ou R$ 3 bilhões. Tivemos uma janela de oportunidade importante, com o mercado melhorando no último mês e ficando com um pouco mais de tranquilidade. Somos o primeiro grande banco privado a fazer uma operação do tipo", afirmou.

Os recursos captados pela LFV serão usados para financiar projetos sustentáveis e para áreas de eficiência energética e operacional (que promovem uma economia menos intensiva em carbono).

Em termos macroeconômicos, para Scarpelli, a expectativa é positiva para o Brasil ao longo do ano que vem.

"Caso vejamos uma nova tração econômica e a expectativa aumente em relação à superação da pandemia, sustentabilidade é um tema que veio para ficar e eu estou convicto que temos espaço para fazer outras operações como essa. Não sei se o mercado será gigantesco, mas com certeza vai crescer bem", afirmou.

O executivo afirma, também, que o banco não descarta uma nova emissão do tipo no exterior.

"Naturalmente, além de olhar para toda a parte sustentável, também precisamos olhar para o custo da operação. Havendo um custo compatível, demanda e bons projetos, não vejo problema em fazermos uma emissão lá fora", disse.

O ESG ganhou força entre investidores e empresários ao longo deste ano, depois que Larry Fink, presidente da BlackRock -maior gestora de investimentos do mundo, com US$ 7 trilhões em ativos (cerca de R$ 36 trilhões)- anunciou, em janeiro, que deixaria de investir em setores intensivos em carbono e realocaria esses recursos para segmentos mais sustentáveis.

Desde então, o mercado de capitais tem se movimentado. Dentre as ações, as corretoras e gestoras começaram a criar ou aumentar as equipes voltadas ao assunto ESG, os principais bancos privados anunciaram uma parceria para financiar a cadeia produtiva da Amazônia e a CVM colocou em audiência pública o aumento das informações publicadas sobre práticas ESG.