Mercado fechado

Bradesco eleva estimativa para PIB em 2020 de 1,9% para 2,2%

Thais Carrança e Vitor Rezende

Banco também passou a prever um crescimento maior neste ano, de 0,9% O Bradesco revisou nesta sexta-feira suas estimativas para crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 0,8% para 0,9% em 2019 e de 1,9% para 2,2% em 2020. Segundo o banco, a mudança para este ano é reflexo dos dados correntes, que mostram uma recuperação moderada, mas consistente da atividade econômica.

“No curto prazo, a retomada será potencializada pela antecipação da liberação dos recursos do FGTS, que impulsionará a demanda, principalmente neste quarto trimestre”, observam os economistas, em relatório.

Para 2020, a revisão é compatível com a melhora adicional esperada para as condições financeiras domésticas. “Adicionalmente, também incorporamos a melhora do balanço de riscos prospectivos no cenário global”, afirmam, acrescentando que o Brasil deve ser uma das economias com maior aceleração do crescimento em 2020.

Apesar da melhora dos indicadores de atividade na margem, a ociosidade da economia permanece elevada e a recuperação da economia não deve gerar pressões inflacionárias nos próximos trimestres, avalia a equipe do Bradesco.

Inflação e juros

Com isso, o banco revisou suas estimativas para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2019 de 3,1% para 3,2% e o de 2020 de 3,7% para 3,6%. “Entendemos que o quadro de inflação baixa e expectativas ancoradas tende a prevalecer, levando o Banco Central a fazer um ajuste adicional de 0,25 ponto percentual em fevereiro, para 4,25%, patamar que deve se manter ao longo de todo o ano”, concluem. A projeção anterior previa que a Selic ia terminar o próximo ano em 4,5%.

“A recente comunicação do Banco Central contratou um ajuste adicional na Selic em dezembro para 4,50%, mas apontou cautela na condução da política monetária nos encontros subsequentes. Essa cautela é natural à medida que a taxa básica vai atingindo patamares cada vez menores, não testados anteriormente”, diz o Bradesco em relatório enviado a clientes hoje.

Os economistas do banco apontam, ainda, que essa cautela é amplificada devido a mudanças estruturais que tendem a alterar o juro neutro na economia. Eles citam o ajuste fiscal, avanços na agenda de reformas, maior protagonismo do setor privado e queda de juros nas principais economias do globo. Além disso, de acordo com eles, “a parcela de crédito mais sensível à política monetária tem se ampliado, elevando de fato a potência da política monetária”.

Déficit menor

O Bradesco avalia que as receitas não recorrentes com o leilão da cessão onerosa contribuirão positivamente para o resultado das contas públicas este ano. Com isso, o banco espera déficit primário de R$ 85 bilhões em 2019 e de R$ 105 bilhões em 2020.

“Esses valores são melhores do que o esperado, mas ainda reforçam a necessidade de consolidação das regras de austeridade fiscal”, observa a equipe do banco, em relatório.

“A reforma da Previdência, já aprovada, constitui um primeiro e fundamental passo na agenda de ajustes estruturais e, agora, o governo apresentou uma nova, ampla e positiva agenda de medidas que também serão importantes para a mudança no perfil do gasto público.”

O Bradesco espera uma convergência da dívida bruta para patamares próximos de 50% até 2030 sob a hipótese de um crescimento de 3% no médio prazo e taxa de juro real em 3%.