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Bradesco cria prime brokerage com foco na indústria de fundos

Cristiane Lucchesi

(Bloomberg) -- O Banco Bradesco SA, segundo maior banco do Brasil em valor de mercado, está iniciando uma área de prime brokerage para atender à crescente indústria de fundos multimercado do país.

Os serviços incluem aluguel de títulos, execução de ordens de compra ou venda alavancadas e gestão de caixa, disse Marcelo Noronha, vice-presidente responsável pelo banco de atacado do Bradesco, sediado em Osasco. A área também faz custódia e serviços de conta corrente, incluindo extratos diários, disse Noronha.

“Unificamos todos os serviços para fundos de investimento em uma única unidade, incluindo serviços bancários tradicionais, a fim de ter um melhor relacionamento com eles”, disse Noronha em entrevista. “Estamos expandindo a equipe para atender esses clientes institucionais.”

As baixas taxas de juros do país estão levando investidores a buscar rendimentos mais altos, com vários deles recorrendo a fundos multimercado e de ações. A indústria de fundos do Brasil teve ingressos líquidos de R$ 235,8 bilhões este ano até outubro, elevando o total de recursos sob gestão ao recorde de R$ 5,33 trilhões, segundo a associação do mercado de capitais Anbima.

O Banco Central reduziu os juros básicos do país em 200 pontos-base desde julho, para um recorde de 4,5%.

O Bradesco está reformulando todo o seu negócio de atacado, ampliando a digitalização e empregando especialistas em dados para melhorar a qualidade dos ratings de crédito dos clientes.

Noronha disse que há uma oportunidade para os grandes bancos no crédito às grandes empresas, já que os fundos de investimento têm pedido spreads mais altos. A demanda pelos empréstimos bancários vinha modesta com as grandes empresas vendendo títulos de dívida no mercado ou ações. A carteira de crédito corporativo do Bradesco cresceu 4,8% nos 12 meses encerrados em setembro, para R$ 250,3 bilhões.

“Dados os maiores spreads solicitados pelos gestores de fundos desde novembro, algumas empresas que não precisam de financiamento apenas esperam, mas outras podem vir até nós e obter uma linha de crédito de curto prazo até que o mercado local de títulos melhore novamente”, disse Noronha.

Para entrar em contato com o repórter: Cristiane Lucchesi em São Paulo, clucchesi5@bloomberg.net

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