Mercado fechado

Brás tem aglomerações e filas apesar de movimento fraco nos shoppings em dia de reabertura

GUILHERME BOTACINI
SÃO PAULO, SP, 11.06.2020 - CORONAVÍRUS-COMÉRCIO-SP - Movimentação de consumidores na região do Brás, centro da capital paulista, na manhã desta quarta-feira (11). A prefeitura de São Paulo libera a reabertura dos shoppings na cidade em meio à pandemia do novo coronavírus. (Foto: Rivaldo Gomes/Folhapress)

A reabertura dos shoppings no Brás, tradicional bairro de comércio de São Paulo, começou devagar nesta quinta (11), apesar do trânsito intenso, filas e movimento grande nas ruas do bairro.

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Lojistas e vendedores ouvidos pela Folha de S.Paulo disseram que o movimento estava abaixo do esperado. Alguns apontaram que a ausência de ônibus com consumidores de outras cidades, comuns no bairro, contribuíram para esse cenário.

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Corredores vazios e lojas fechadas, no entanto, não impediram que alguns pontos de venda tivessem aglomeração de clientes. Todos utilizavam máscaras no interior dos centros de compras.

O comércio no bairro acontece nos shoppings, lojas de rua, e calçadas, onde clientes compram em varejo ou atacado. Nos shoppings, as lojas são no formato box, em geral pequenas, com pouco espaço interno, e produtos expostos em vitrines e corredores. Muitos centros de compras têm corredores apertados.

Todos os centros visitados pela Folha mediam a temperatura dos clientes e forneciam álcool em gel na entrada, como definido pela prefeitura. Dentro, porém, apenas marcações de fluxo único de movimento, ignorada por funcionários e clientes, e álcool em gel disponível nas lojas.

Filas foram formadas na porta dos shoppings para entrada controlada de clientes. Nenhuma fila foi feita de forma organizada ou respeitou a distância de um metro e meio exigida pelo protocolo negociado entre lojistas a prefeitura.

Os shoppings foram autorizados a abrir, com restrições, na capital paulista após 83 dias fechados. Eles só podem abrir por quatro horas, e em apenas dois períodos: das 6h às 10h, ou das 16h às 20h. No Brás, a maioria deles escolheu o primeiro horário.

Um dia antes, na quarta (10), foi o comércio de rua que reabriu as portas.

Raros corredores e lojas tinham marcações para delimitação de distância de um metro e meio entre pessoas, outra exigência. Nenhum shopping visitado fazia contagem de clientes para que fosse respeitada a regra de, no máximo, 20% da capacidade de lotação.

Kelly Santos foi com a sogra comprar roupas de frio para revenda. Para elas, compras online não compensam, porque não dá para verificar qualidade, e o frete encarece a compra. Elas pretendiam gastar no máximo R$ 4 mil, valor abaixo do reservado para os produtos antes da pandemia.

Santos avalia que aglomerações são inevitáveis e que, por isso, a reabertura não parece correta, mesmo que necessária para lojistas e clientes. Ela estava em uma loja que não permitia a entrada de consumidores, mas pessoas se reuniam sem distanciamento no corredor. Não havia fiscalização.

Exemplo disso foi o Shopping 25 de Março, na rua Barão de Ladário, exceção de centro com bom movimento interno. Os corredores estavam movimentados e havia fila para entrada, sem distanciamento entre pessoas, e na rua. A fila se misturava com carregadores de mercadoria, carros estacionados, ônibus e vendedores informais.

Se por um lado os corredores fechados dos shoppings tiveram baixa circulação, por outro o comércio informal de ambulantes nas ruas e calçadas do Brás estava intenso.

Muitos vendedores expunham suas mercadorias lado a lado, sem distanciamento, enquanto a população se espremia no curto corredor que restava para passagem. O distanciamento era impraticável e, diferente dos shoppings, muitas pessoas estavam sem máscara.

Apesar da presença de funcionários da prefeitura e da Polícia Militar pelas ruas mais movimentadas, não houve qualquer intervenção para que as exigências de distanciamento social fossem respeitadas nas ruas.

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