Bovespa começa negócios com leve baixa

Os primeiros 90 minutos do pregão da Bovespa nesta sexta-feira devem ser arrastados. Isso porque as atenções dos mercados acionários globais estão direcionadas para os números do mercado de trabalho nos Estados Unidos em novembro, que serão conhecidos às 11h30. O fato é que nesta semana, os negócios locais alternaram um dia positivo com um dia negativo, ficando com uma performance desanimadora no início deste mês, incapaz de salvar o desempenho no ano. Por volta das 10 horas, o Ibovespa tinha leve baixa de 0,03%, aos 57.636,60 pontos.

Ao que tudo indica, a falta de confiança dos investidores estrangeiros com o Brasil está penalizando a Bolsa. "A Bolsa é reflexo do 'risco-governo'", avalia o operador sênior da Renascença Corretora, Luiz Roberto Monteiro. Para ele, a revista britânica The Economist "colocou no papel", tudo o que o mercado doméstico já sabe há tempos.

Segundo a publicação desta semana, as projeções excessivamente otimistas do ministro da Fazenda, Guido Mantega, perderam a confiança dos investidores estrangeiros. Além de sugerir a demissão de Mantega, a revista afirma que o governo da presidente Dilma Rousseff interfere demais na economia. "Um exemplo é seu aparente desejo de diminuir o retorno sobre os investimentos por decreto, e não apenas para os bancos, como também para empresas de energia e outras companhias de infraestrutura", destaca a Economist.

Portanto, ele acredita que, no longo prazo, a Bolsa não deve ter nenhum impulso e tende a reagir, no curto prazo, às variáveis diárias vindas do exterior. "Uma melhora externa pode beneficiar alguns setores, mas esses fatores internos tendem a limitar o fôlego", conclui.

Na sexta-feira, quem comanda é o dado referente ao número de postos de trabalho criados nos EUA em novembro, o chamado payroll. A previsão é de que a abertura de vagas tenha sido de 80 mil, com os números impactados pela passagem do furacão Sandy na Costa Leste norte-americana no mês passado. Já para a taxa de desemprego, as projeções vão desde estabilidade em 7,9% até ligeira alta para 8,0% ou um pouco mais.

Caso o dado surpreenda positivamente, é provável que os mercados internacionais abandonem a lateralidade que prevalece entre os ativos de risco nesta manhã, ainda por causa das incertezas sobre o abismo fiscal. Também pesa a redução nas estimativas do Banco Central da Alemanha (BundesBank) para o crescimento da maior economia europeia em 2012 e em 2013.

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