Bovespa cai no dia, mas garante alta de 0,71% no mês

O desempenho fraco do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, a preocupação com o abismo fiscal e os dados econômicos nos Estados Unidos acabaram com as esperanças de a Bovespa encerrar o último dia do mês no azul. Mesmo assim, a Bolsa conseguiu registrar ganho no mês.

Perto do fim da sessão desta sexta-feira, a melhora dos papéis da Vale impediu uma queda maior. Em contrapartida, Petrobras e siderúrgicas puxaram o Ibovespa para baixo. Já as empresas do setor de energia subiram, incentivadas pela Medida Provisória (MP) 591, que altera alguns pontos da MP 579.

Com isso, o Ibovespa encerrou com declínio de 0,65%, aos 57.474,57 pontos. No mês, o ganho encolheu para 0,71% e, no ano, para 1,27%. Na mínima do dia, o índice atingiu 56.704 pontos (-1,99%) e, na máxima, 58.031 pontos (+0,31%). O giro financeiro somou R$ 13,007 bilhões - o maior volume do mês. Os dados são preliminares.

Segundo um operador, mais uma vez os estrangeiros foram às compras, mas não conseguiram garantir a alta do Ibovespa. Pela manhã, a procura foi por papéis com pouco peso no índice, mas que sofreram alteração nas carteiras do MSCI Brasil - índice de ações do Morgan Stanley. Entre os papéis brasileiros que entraram na carteira estão Ambev ON, Bradesco ON e Lojas Americanas ON. Saíram MMX ON e Transmissão Paulista PN. "Feitos os ajustes, os estrangeiros voltaram para os papéis com boa liquidez (Vale e Petrobras), o que explica a mudança de rumo dessas ações", informou.

Outra fonte disse que "o PIB só veio piorar o que já não estava bom", referindo-se à preocupação do mercado com a questão fiscal dos EUA. "As ações estão muito baratas, mas a incerteza externa afasta o investidor. Não há apetite", completou.

Mais cedo, o presidente dos EUA, Barack Obama, fez uma proposta que pede um aumento de impostos de US$ 1,6 trilhão e novos poderes para o governo elevar o teto da dívida federal. Os republicanos não apresentaram uma oferta comparável e indicaram disposição para aceitar US$ 800 bilhões em receitas nos próximos dez anos, metade do valor proposto por Obama, e demandaram muito mais cortes de gastos. Como consequência, as Bolsas em Nova York também operavam em queda.

No front doméstico, as ações da Vale conseguiram virar e terminar o dia em terreno positivo, acompanhando a alta dos metais no exterior. O papel ON subiu 0,37% e o PNA avançou 0,27%. As siderúrgicas, contudo, tiveram quedas. Gerdau PN caiu 4,42%, Gerdau Metalúrgica PN cedeu 4,87%, CSN ON recuou 5,15% e Usiminas PNA perdeu 1,96%.

Petrobras também não teve a mesma sorte da mineradora e terminou a sesão no vermelho. A ação ON caiu 2,20% e a PN teve desvalorização de 2,56%.

O destaque ficou para as ações do setor de energia elétrica, que reagiram em alta à MP 591. A principal mudança da MP 579 foi o reconhecimento do governo federal de que as transmissoras possuem um saldo a indenizar dos ativos anteriores a 2000, antes considerados totalmente amortizados. Na noite passada, fontes do mercado sinalizaram que o pagamento de indenização relativa a esses empreendimentos ficaria entre R$ 9 bilhões e R$ 10 bilhões. Com isso, a expectativa das autoridades oficiais da área de energia é de que as elétricas assinem os novos contratos de concessão na terça-feira (04).

Os papéis mais beneficiados foram os PNB e ON da Eletrobras, que lideram as altas do Ibovespa, com ganhos de 23,56% e 16,79%, respectivamente. Também foram destaques Transmissão Paulista PN (+4,48%), Light ON (+3,81%) e Cemig PN (+2,72%).

Em Nova York, às 17h21 (horário de Brasília), o índice Dow Jones caía 0,08%, o S&P 500 cedia 0,09% e o Nasdaq recuava 0,13%.

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