Bovespa cai em dia de ajustes e de cautela no exterior

Esta segunda-feira é dia de fortes ajustes na Bovespa. Enquanto os negócios locais estavam fechados, por causa do feriado nacional na última sexta-feira (2), as Bolsas de Nova York e, principalmente, os ADRs brasileiros amargaram perdas acentuadas. Isso porque os mercados internacionais reagiram mais ao tombo das commodities, no fim da semana passada, do que à criação de mais vagas de emprego que a esperada nos Estados Unidos.

Já os recibos de ações das empresas nacionais de energia elétrica eram penalizados pelos critérios para renovação das concessões no setor, anunciados na noite de quinta-feira (1). Com o fim do horário de verão norte-americano, a parte matutina do pregão doméstico deve ser destinada a essa correção, mas no período vespertino a cautela dos investidores antes de eventos de peso no exterior tende a prevalecer. Por volta das 10h, o Ibovespa era negociado abaixo dos 58 mil pontos, em queda de 0,98%, aos 57.810,80 pontos.

O governo brasileiro esperou até o último minuto para divulgar os valores das novas tarifas de geração para as usinas cujas concessões vencem entre 2015 e 2017, além dos valores das indenizações não amortizadas. Do total de 123 usinas, apenas 81 foram habilitadas pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e pelo Ministério de Minas e Energia (MME) para ter suas concessões renovadas antecipadamente por 30 anos.

Somente 15 usinas receberão indenizações pelos ativos não amortizados e, somadas, as indenizações em geração e transmissão chegam a R$ 19,4 bilhões. Segundo cálculos preliminares de executivos do setor, os valores atualizados para baixo pelas próximas três décadas indicam redução média de mais de 70% nas receitas dessas unidades. As companhias têm até o dia 4 de dezembro para informar se aceitam (ou não) as condições impostas pelo governo.

Apesar de hoje ser o primeiro dia de reação das ações do setor de energia na Bolsa brasileira, na sexta-feira, em Nova York, os ADRs desabaram. Eletrobrás caiu 9%, enquanto Cemig, CPFL e Copel perderam até 3%. Naquele dia, os investidores não conseguiram manter o bom humor com o relatório de emprego nos EUA e o índice Dow Jones sofreu sua maior queda desde junho de 2009 em um dia no qual os dados do payroll superaram as expectativas.

A economia norte-americana criou 171 mil postos de trabalho em outubro, acima da previsão de elevação de 125 mil. Os dados de setembro e de agosto foram revisados em alta, mas a taxa de desemprego avançou a 7,9% no mês passado, de 7,8% no mês anterior. Porém, a queda de 2,56% do petróleo WTI prejudicou o desempenho das Bolsas em Nova York, por causa da decisão do governo dos EUA de revogar temporariamente a lei que proíbe a entrega de combustível por petroleiros estrangeiros no país.

Nesta manhã, porém, o futuro do S&P 500 exibia leve alta 0,04% no horário acima. É válido lembrar que neste domingo os EUA saíram do horário de verão e, com isso, Wall Street funciona das 12h30 às 19h, no horário de Brasília. Por lá, os investidores cautelosos antes da eleição presidencial norte-americana, que acontece nesta terça-feira (6). Segundo pesquisas de intenções de voto, o presidente e candidato à reeleição, o democrata Barack Obama, e o rival republicano, o ex-governador de Massachusetts, Mitt Romney, estão empatados. Mas como a eleição nos EUA é indireta e considera os colégios eleitorais dos 50 Estados, o resultado final deve ser divulgado somente no próximo mês.

As principais bolsas europeias também estão apreensivas com o pleito nos EUA, ao mesmo tempo em que permanecem as incertezas quanto ao futuro de Espanha e Grécia. O Parlamento grego vota, nesta quarta-feira, novas medidas de austeridade fiscal exigidas pelos credores para a liberação dos recursos da ajuda financeira - um pacote de 18 bilhões de euros em cortes de gastos. Sem esses novos recursos, a Grécia ficará sem dinheiro em duas semanas, o que levou o primeiro-ministro, Antonis Samaras, a novamente alertar sobre os riscos de o país helênico ser forçado a sair da zona do euro.

O país ibérico, por sua vez, mostra-se confortável com a "generosidade" do Banco Central Europeu (BCE). Segundo um artigo em um jornal alemão, a autoridade monetária europeia não estaria observando suas próprias regras na concessão de empréstimos a bancos espanhóis, quando estes apresentam alguns títulos do Tesouro da Espanha como garantia.

Em meio a tudo isso, ressalta o economista da Órama Investimentos, Álvaro Bandeira, no seu comentário diário, seria bom se a Bolsa conseguisse se manter acima dos 58,1 mil pontos. Porém, o mais provável é que a importante região nos 57,6 mil pontos seja testado. Abaixo desse patamar, comenta a equipe da Um Investimentos, também em relatório, o próximo fundo imediato é nos 56 mil pontos. A conferir.

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