Bovespa cai pelo 3º dia e atinge menor nível de 2013

A desconfiança diante das interferências do governo brasileiro no mercado continua afugentando os investidores da Bolsa, que encerrou o pregão desta quarta-feira no nível mais baixo do ano. Como ontem, a Petrobras vê a saída de seus acionistas, motivada pela mudança da política de distribuição de dividendos da empresa e pela piora das perspectivas para a estatal nesse primeiro semestre, o que foi admitido pela própria presidente da companhia, Graça Foster.

O sentimento de aversão contamina a Bovespa como um todo e faz a Bolsa brasileira cair com mais força do que seus pares no exterior. Das 69 ações que compõe a carteira teórica do Ibovespa, apenas 19 encerraram no azul. As ações da OGX e os papéis do setor financeiro também pesaram, enquanto a Vale corrigiu a queda de ontem e evitou uma desvalorização maior do principal índice da Bolsa.

O Ibovespa fechou em queda pela terceira sessão consecutiva, de 0,83%, aos 58.951,07 pontos, o menor nível de fechamento desde 7 de dezembro do ano passado. Na máxima do dia, chegou aos 59.582 pontos (+0,23%) e, na mínima, foi aos 58.588 pontos (-1,44%). O índice operou no vermelho durante praticamente todo o dia. O volume financeiro somou R$ 7,161 bilhões (dado preliminar). No mês de fevereiro, a Bolsa acumula queda de 1,36% e, no ano, perda de 3,28%.

Neste ano, que começou com a Bolsa no patamar dos 62 mil pontos, foi a primeira vez que o Ibovespa foi negociado no nível dos 58 mil. "E pode ser que o mínimo de hoje seja o máximo de amanhã", afirmou o operador da mesa institucional da Renascença Corretora, Luiz Roberto Monteiro, mostrando certo pessimismo em relação ao desempenho do Ibovespa nos próximos dias. "Infelizmente, o intervencionismo do governo passa desconfiança para os investidores. Uma hora essa conta tinha que chegar, e agora chegou", avalia o profissional. "Ninguém quer investir numa empresa em que as regras podem mudar no meio do caminho."

Os papéis ON da Petrobras registraram queda de 1,27% e os PN, -2,65%, ainda em reação às declarações da presidente da empresa, Graça Foster, de que a produção deste ano deverá ficar nos mesmo níveis do ano passado. O aumento do endividamento e o fraco fluxo de caixa também preocupam analistas e investidores. Vale lembrar que ontem as ações ON da estatal recuaram mais de 8% em razão da mudança na política de pagamento de dividendos.

No setor de petróleo, a OGX continua amargando perdas. Hoje, as ações ON tiveram queda de 1,59%, ainda que sem um motivo definido. No mês, a companhia de Eike Batista acumula desvalorização superior a 25%.

Entre as blue chips, a Vale fechou no azul, amenizando em parte a perda do Ibovespa no dia. As ações ON subiram 1,13% e as PNA avançaram 1,05%. Ontem, após o fechamento, a mineradora comunicou que assinou um acordo com a canadense Silver Wheaton Corp. (SLW) para venda de fluxos de ouro produzidos como subproduto da mina de cobre do Salobo, no Pará, e das minas de níquel de Sudbury, no Canadá, por 20 anos. A companhia receberá pagamento inicial em dinheiro no valor de US$ 1,9 bilhão.

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