Bovespa abre em queda, diante de impasse nos EUA

A abertura da Bovespa neste último pregão antes do Natal é de queda acelerada, já ao redor de 1% nos primeiros minutos de negócios, comprometendo a performance dos negócios locais acumulada ao longo desta semana. As perdas domésticas tendem a acompanhar o tombo previsto para o dia em Wall Street, conforme apontam os índices futuros das Bolsas de Nova York. A frustração com a tentativa de votação do Plano B republicano para evitar o abismo fiscal nos Estados Unidos provoca uma busca por proteção entre os investidores, diante da percepção de que não haverá tempo hábil para uma solução sobre a questão antes do fim do ano. Por volta das 10h, o Ibovespa tombava 1,17%, aos 60.556,18 pontos, na pontuação mínima até então.

Segundo especialistas em renda variável, o nervosismo nos mercados financeiros ocorre diante de certa descrença sobre se haverá tempo para apresentar uma nova proposta e colocá-la em votação, faltando apenas 10 dias para o fim do ano. Apesar da confiança do presidente norte-americano, Barack Obama, de que haverá um acordo bipartidário sobre a questão, os investidores temem que a economia dos EUA descarrile em 2013 e provoque novas turbulências na economia global no ano que vem.

O chefe da mesa de operações de uma corretora paulista lembra que a votação do Plano B não agradava aos democratas e já tinha a ameaça de veto de Obama. Mas, pondera ele, a continuidade do impasse é certamente ruim para os negócios com risco. "Sem um 'cala-boca' para a questão, os mercados financeiros devem começar 2013 sob um estresse muito forte", diz, lembrando que não será nada bom para a economia norte-americana iniciar o ano com uma série de corte de gastos e aumento de impostos.

No horário acima, os índices futuros do Dow Jones e do S&P 500 recuavam 1,27% e 1,35%, nesta ordem, o que, na opinião de um operador, "é uma queda considerável". Para ele, a Bolsa deve abrir pressionada, mas o tamanho das perdas locais só será mensurado após o início dos negócios em Wall Street. "Os 'gringos' devem aproveitar para jogar a Bolsa para baixo, já que eles estão vendidos em índice futuro", diz, referindo-se à aposta dos investidores estrangeiros na queda do Ibovespa, no mercado futuro.

Na Europa, porém, as perdas das principais bolsas são mais comedidas, inferiores a 1%, a despeito de novos indicadores econômicos ruins na região.

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