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Boulos diz que cidade desigual é ruim para todos e que atrito com a Câmara é superdimensionado

JOELMIR TAVARES E CAROLINA LINHARES
·4 minuto de leitura
*ARQUIVO* SÃO PAULO, SP, 25.11.2020 - O candidato do PSOL à Prefeitura de São Paulo, Guilherme Boulos. (Foto: Marlene Bergamo/Folhapress)
*ARQUIVO* SÃO PAULO, SP, 25.11.2020 - O candidato do PSOL à Prefeitura de São Paulo, Guilherme Boulos. (Foto: Marlene Bergamo/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Guilherme Boulos (PSOL) reiterou o chavão de "inversão de prioridades" de sua campanha e disse que a desigualdade social em São Paulo prejudica não só os mais pobres, mas também a elite. Por isso, segundo ele, um eventual governo do PSOL atuaria para reduzir a distância entre classes.

O candidato participou de sabatina realizada por Folha e UOL na manhã desta quinta-feira (26).

"O combate à desigualdade numa cidade como a nossa é bom para todo o mundo. O abismo social vai tornando a cidade refém de insegurança, de conflagração", afirmou na sabatina, transmitida ao vivo.

"A nossa inversão de prioridades parte de um entendimento de que nós temos que focar mais nas regiões abandonadas. Onde precisa mais de investimento público: na Cidade Tiradentes ou em Higienópolis?", disse.

Boulos fez as declarações ao comentar os encontros, revelados pela Folha, que teve com empresários e representantes da iniciativa privada ao longo dos últimos três meses. Segundo ele, as conversas serviram para apresentar suas propostas.

"Desigualdade não interessa a ninguém. Queremos uma cidade com menos desigualdade e menos segregação. Tem pessoas que atuam no setor privado que concordam com esse modelo e por isso se aproximaram da nossa candidatura", disse.

Boulos negou haver contradição entre seu discurso de militante de esquerda, muitas vezes contrários ao capitalismo, e a aproximação com pessoas do mercado.

"Essas conversas que eu tenho feito com empresários refletem a minha concepção de governo de que eu, como prefeito, vou governar para a cidade toda. Tenho a minha trajetória, as minhas prioridades, e acredito que combater a desigualdade é bom para a cidade como um todo", afirmou.

O candidato do PSOL ainda acenou ao liberalismo econômico se comprometendo a ter responsabilidade fiscal.

“Não defendo déficit. Me coloquei em defesa da responsabilidade na forma de lidar com o Orçamento, mas não ser irresponsável socialmente”, disse.

O candidato voltou a comentar o desafio que terá, se eleito, de conseguir aprovar suas propostas na Câmara, onde tem apenas uma minoria de vereadores simpáticos a ele.

Segundo Boulos, a Câmara não irá se opor a medidas como a criação de frentes de trabalho, reabrir hospitais ou ampliar o horário de funcionamento de UBS.

"Acho que às vezes se superdimensiona um eventual conflito das nossas propostas com o Legislativo de São Paulo", disse.

O candidato reiterou que, se eleito, governará com base no diálogo com a Câmara. Questionado sobre o método, que se assemelha à proposta do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) de governar sem toma lá, dá cá, Boulos rejeitou a comparação.

"É descabido qualquer tipo de comparação entre mim e o Bolsonaro. Ele apoia fechamento do Congresso, quer prender ministro do Supremo. Essa não é minha escola, não é minha tradição", afirmou.

Segundo ele, a negociação com os vereadores "tem que ser feita com base no plano de governo e nas propostas".

"Vou construir uma relação de diálogo que eu espero que seja produtiva, não apenas com a Câmara, mas com o modelo de participação social. A sociedade precisa ser escutada. Existem instrumentos, com a tecnologia de aplicativos, de participação digital. Para que o debate seja aberto e feito de forma transparente com a sociedade."

Boulos aproveitou para criticar o governo do atual prefeito, Bruno Covas (PSDB). "O que eu não topo é toma lá, dá cá. Não topo o modelo de governabilidade que o PSDB faz em São Paulo hoje. Vende a ideia de boa gestão, mas faz a mesma velha prática de entregar subprefeituras para vereadores. E aí quem tenta romper com esse modelo é aventureiro, é inviável", disse.

Boulos também alfinetou Covas em relação a seus aliados, afirmando que o prefeito omite o apoio do governador João Doria (PSDB) e esconde a figura do vice, Ricardo Nunes (MDB), alvo de suspeitas no setor de creches e acusado de ameaça, no passado, pela esposa.

"Eu não escondo de ninguém minhas posições. Aliás, é uma diferença minha em relação ao meu adversário. A minha campanha é absolutamente transparente", disse Boulos.

Em relação à pandemia do coronavírus, Boulos evitou responder se fechará comércios se for eleito. Ele afirmou que, pelos números atuais, essa hipótese não está colocada, mas disse que irá sempre consultar médicos e especialistas e seguir essa orientação sobre flexibilizar ou não o funcionamento das atividades econômicas.

Boulos criticou as medidas do prefeito Covas durante a pandemia. Questionou ainda o fato do governador João Doria (PSDB) ter marcado a revisão do Plano São Paulo, que orienta as restrições e o isolamento na quarentena em todo o estado, para um dia após o segundo turno.

O candidato do PSOL afirmou que irá fazer a lição de casa que Covas não fez, de testagem em massa e isolamento focado nas pessoas contaminadas pelo vírus.

Boulos chegou ao segundo das eleições municipais com 20,24% dos votos. Seu adversário, Covas, teve 32,85% dos votos.

Segundo a última pesquisa Datafolha, divulgada na terça-feira (24), Boulos têm 45% das intenções de voto, contra 55% de Covas.