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Boulos acusa Covas de uso da máquina em ação com servidores

ARTHUR RODRIGUES E THIAGO AMÂNCIO
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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Na reta final do segundo turno, a atuação de servidores ligados à gestão Bruno Covas (PSDB) levou a campanha de Guilherme Boulos (PSOL) a acusar a candidatura tucana de uso da máquina da Prefeitura de São Paulo. Em um episódio, o secretário municipal de Educação, Bruno Caetano, mandou mensagem de áudio que circulou entre servidores pedindo para "gerar mais informações positivas para serem reverberadas". Em outro, uma creche mandou mensagem aos pais de alunos matriculados pedindo votos para Covas. Por fim, em caso localizado pela reportagem, assessora do gabinete do prefeito enviou mensagens ao empregador de uma eleitora de Boulos pedindo que a empresa "tomasse cuidado" com a funcionária. A prefeitura nega irregularidades nas ações dos servidores, que são livres para manifestar suas opiniões fora do horário de expediente e sem usar recursos públicos. A advogada Sabrina Ribeiro Carvalho é assessora do gabinete de Covas, com salário bruto de cerca de R$ 5.000. Na última semana, ela abordou o empregador de uma eleitora afirmando que a empresa "deveria tomar cuidado" com a funcionária, que estaria propagando notícias falsas. A eleitora é uma estilista de 34 anos que pede para não ser identificada. Ela afirma que recentemente publicou no Instagram e no Twitter críticas ao candidato a vice-prefeito Ricardo Nunes (MDB) e uma imagem, falsa e em tom de piada, de que Covas estaria apoiando Boulos. No mesmo dia, a empresa onde a estilista trabalha recebeu pelo Instagram a mensagem de Sabrina, que se apresenta na rede social como membro do Movimento Covas Prefeito. O grupo é coordenado por Alê Youssef (Cidadania), ex-secretário de Cultura de Covas e apoiado pelo próprio prefeito --que segue Sabrina na rede com seu perfil pessoal. Além de afirmar que "deveriam tomar cuidado" com a funcionária, Sabrina diz na mensagem que a estilista "já foi denunciada e as providências tomadas". A reportagem a procurou por telefone e nas redes, mas não obteve resposta. À reportagem a estilista diz que soube das mensagens pela chefe e que não se sentiu intimidada ou constrangida porque trabalha com pessoas que têm a mesma opinião política. Outros episódios foram parar em uma ação de Boulos contra Covas sob a acusação de abuso de poder econômico. O secretário da Educação, Bruno Caetano, compartilhou mensagem em grupo que inclui servidores no qual fala sobre espalhar informações positivas e explora o posicionamento de Boulos, crítico das entidades conveniadas, conforme a ação judicial. "Independente da tentativa deles de mudarem de posição, o estrago tá feito, e justo, porque tá escrito no programa de governo do Boulos, tá escrito na Folha de S.Paulo, tá escrito no Estadão e tem uma declaração do Boulos falando mal da rede de parceiros", disse Caetano. "Vamos gerar mais informações positivas, para serem reverberadas." A ação cita diretora regional que enviou um áudio sobre creches no qual Boulos é tratado como "o oponente". "‹A gestão Covas diz que os servidores não incorreram em ilegalidade e são livres" para "exercer os seus direitos garantidos pela Constituição" e expressar suas opiniões fora do horário de expediente. Sobre a assessora do prefeito, diz que a mensagem se deu "em sua conta pessoal no Instagram às 21h29, portanto também fora do expediente e do seu local de trabalho, a um post 'falso', como relata a própria reportagem".