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Botijão sobe 5% em um mês e fica mais perto dos R$ 100

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***ARQUIVO***SÃO PAULO: Vista de botijões de gás empilhados. (Foto: Gabo Morales/Folhapress)
***ARQUIVO***SÃO PAULO: Vista de botijões de gás empilhados. (Foto: Gabo Morales/Folhapress)

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - O preço dos combustíveis permaneceu em alta nas bombas esta semana, de acordo com a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis), renovando recordes históricos que vêm provocando reação até de aliados do governo Jair Bolsonaro.

De acordo com a agência, gasolina e diesel ficaram 0,3% mais caros na semana, atingindo um preço médio de R$ 6,076 e R$ 4,709 por litro, respectivamente. Etanol e gás natural veicular subiram 1,1% e 0,6%, para R$ 4,704 por litro e R$ 4,146 por metro cúbico.

Já o botijão de gás bateu R$ 98,33, alta de 1,5% em relação ao praticado na semana anterior. É o combustível que tem apresentando maior aumento nas últimas semanas. Em um mês, segundo a ANP, o preço do botijão acumula alta de 5%.

A escalada do preço dos combustíveis vem desde o final de 2020, acompanhando a recuperação das cotações internacionais do petróleo e a desvalorização cambial e tem fortes impactos na inflação e na popularidade do presidente Jair Bolsonaro.

Nesta semana, a Petrobras entrou na mira de autoridades em Brasília, com críticas à sua política de preços partindo até do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, para quem o ritmo de reajustes no Brasil é mais acelerado do que em outros países.

Em outra frente, o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL) disse que a empresa deve ser lembrada "que os brasileiros são seus acionistas" e deveria "dividir com o povo brasileiro o pouco da riqueza".

As declarações fizeram as ações da companhia figurarem entre as principais baixas da Bolsa de Valores brasileira na terça-feira (14), quando declarações de governistas geraram preocupação de investidores quanto a eventuais intervenções políticas na estatal.

No mesmo dia, em audiência na Câmara, o presidente da estatal, Joaquim Silva e Luna, havia afirmado que o preço dos combustíveis no país inclui o custo de produção da empresa e que uma eventual intervenção estatal nos valores precisaria ser compensada pelos cofres públicos.

"A Petrobras é uma sociedade de economia mista sujeita a uma rigorosa governança. Não tem espaço para qualquer tipo de aventura dentro da empresa, não tem", afirmou o executivo.

Luna foi nomeado para a estatal em meio a um movimento de insatisfação da base de apoio bolsonarista com a escalada dos preços do início do ano. Em sua posse, prometeu seguir a política de preços, mas tem praticado uma frequência de reajustes mais lenta do que seu antecessor, Roberto Castello Branco.

Ainda assim, desde a semana da posse de Silva e Luna, em abril, o preço da gasolina já subiu 6,8% nos postos. O diesel tem alta acumulada de 4,4% e o botijão de gás, de 11,9% --levando o Congresso a acelerar o debate sobre a concessão de subsídio para a compra desse combustível por famílias de baixa renda.

Nesta terça, o deputado federal Christino Áureo (PP-RJ) concluiu relatório de projeto que prevê o pagamento de metade do valor do botijão a famílias inscritas em programas sociais do governo federal, subsídio financiado pela Cide (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico) e pela receita da União com a produção de petróleo.

Para tentar conter os danos, o presidente Bolsonaro tem jogado a responsabilidade nos estados e decidiu antecipar esta semana mudanças no setor de combustível que teriam, segundo o governo, o objetivo de aumentar a competição de reduzir os preços.

Em MP (medida provisória) editada na segunda (13), ele declarou imediato o prazo de vigência de outro texto de agosto que permite a venda direta de etanol entre usinas e postos e a possibilidade de que postos vendam combustíveis de outras marcas.

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