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Boris Johnson cai nas pesquisas antes da difícil retomada das atividades

Martine PAUWELS
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Primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, em 15 de julho
Primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, em 15 de julho

Desde que assumiram o poder, os conservadores de Boris Johnson perderam, pela primeira vez, a liderança nas pesquisas de preferência frente à oposição trabalhista - revela uma sondagem publicada neste domingo (30).

Trata-se de um novo desafio para o líder britânico que enfrenta dificuldades na retomada das atividades no país, em meio à pandemia da covid-19.

Com uma gestão da crise de saúde muito criticada, com o medo de um novo surto, a complicada volta às aulas, uma grave recessão econômica, enigmáticas idas e vindas e reclamações em seu próprio campo de atuação, a volta às aulas oferecerá muito pouco respiro a Johnson, já exigido em várias frentes.

Uma pesquisa da empresa Opinium, publicada neste domingo pelo The Observer, mostra conservadores e trabalhistas empatados, com 40% das intenções de voto para cada lado, pela primeira vez desde o verão de 2019.

A queda para os conservadores é vertiginosa. Grandes vencedores das eleições legislativas de dezembro, eles agora caíram 26 pontos em pouco mais de cinco meses, após a imposição do isolamento social, hoje quase totalmente suspenso.

"Desde que Boris Johnson se tornou primeiro-ministro, os conservadores geralmente tinham uma liderança de dois dígitos, atingindo seu auge em março/abril, em uma época em que a gestão da pandemia e da crise econômica era relativamente bem aceita. No entanto, os trabalhistas mudaram de liderança, substituindo Jeremy Corbyn, da extrema esquerda, por Keir Starmer, moderado", observou Adam Drummond, da Opinium, no jornal.

- "Clima de incerteza" -

Além disso, desde então, muita coisa também mudou rapidamente no Reino Unido, o país com mais vítimas fatais na Europa pelo novo coronavírus. Até agora, são cerca de 41.500 óbitos.

O governo foi duramente criticado por não ter compreendido a escala da pandemia com antecedência: primeiramente, com a falta de equipamento de proteção para o pessoal de saúde, e, depois, com uma avaliação insuficiente do cenário.

Ao voltar para Westminster na terça-feira, Johnson terá muito trabalho pela frente para tranquilizar seus parlamentares, atualmente a ampla maioria.

"Com muita frequência, o atual governo parece agir com o dedo molhado para saber para que lado sopra o vento. Não é uma forma sustentável de governar", lamenta Charles Walker, vice-presidente do influente "comitê de 1922", responsável pela organização do Partido Conservador em nível parlamentar.

Outro tema muito discutido é a volta às aulas na Inglaterra na próxima semana, após meses de fechamento parcial por causa da covid-19.

Diante das preocupações dos sindicatos e dos pais dos alunos, o governo insiste em que as escolas são ambientes seguros.

Também nisso Estado é criticado, por mudar de última hora as medidas anunciadas para a população, como em relação ao uso de máscaras. Agora, elas devem ser usadas nas instituições de ensino médio em regiões com altos índices de infecção.

Outro grande motivo de insatisfação: o Executivo considera um aumento dos impostos, que seria "o mais importante em uma geração", de acordo com o "Sunday Telegraph", que têm fontes ligadas ao governo. O objetivo é pagar a fatura resultante da pandemia.

A crise na saúde deixou um rastro de devastação financeira, antes da implementação do Brexit, no final do ano, um quadro que trará sua cota disruptiva. O PIB registrou uma queda recorde de 20,4% no segundo trimestre, o pior desempenho de toda Europa.

Para revitalizar a economia e as áreas centrais, o governo tem incentivado os funcionários que fazem trabalho remoto há semanas a voltarem aos seus escritórios, enquanto grandes marcas e redes de fast-food estão demitindo milhares de funcionários.

De acordo com "The Telegraph", no entanto, uma grande campanha de incentivo sobre isso, marcada para a próxima semana, teria sido suspensa por temor do ressurgimento da covid-19 com o retorno às aulas.

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