Mercado fechado
  • BOVESPA

    112.291,59
    +413,06 (+0,37%)
     
  • MERVAL

    38.390,84
    +233,89 (+0,61%)
     
  • MXX

    43.934,21
    +259,38 (+0,59%)
     
  • PETROLEO CRU

    45,64
    +0,36 (+0,80%)
     
  • OURO

    1.844,80
    +3,70 (+0,20%)
     
  • BTC-USD

    19.444,12
    +495,22 (+2,61%)
     
  • CMC Crypto 200

    382,14
    +7,73 (+2,07%)
     
  • S&P500

    3.666,72
    -2,29 (-0,06%)
     
  • DOW JONES

    29.969,52
    +85,73 (+0,29%)
     
  • FTSE

    6.490,27
    +26,88 (+0,42%)
     
  • HANG SENG

    26.728,50
    +195,92 (+0,74%)
     
  • NIKKEI

    26.809,37
    +8,39 (+0,03%)
     
  • NASDAQ

    12.488,25
    +34,00 (+0,27%)
     
  • BATS 1000 Index

    0,0000
    0,0000 (0,00%)
     
  • EURO/R$

    6,2360
    -0,0838 (-1,33%)
     

Vulnerável a um tuíte, Brasil de Bolsonaro virou área de instabilidade e desequilíbrio

Matheus Pichonelli
·5 minuto de leitura
Brazil's Jair Bolsonaro adjusts his protective face mask during a news conference to announce measures to curb the spread of the coronavirus disease (COVID-19) in Brasilia, Brazil March 18, 2020. REUTERS/Adriano Machado     TPX IMAGES OF THE DAY
O presidente Bolsonaro faz sucesso tentando colocar a máscara contra o coronavírus. Adriano Machado/Reuters

Jair Bolsonaro foi eleito propagandeando palavras como segurança, ordem e disciplina, mas como presidente deixou uma nação inteira vulnerável a um tuíte.

Nunca antes na história desse país a estabilidade dependeu tanto das oscilações de humor de uma única pessoa. Dia bom tem live e brincadeirinha nas redes; dia ruim, tem paranoia e declaração de guerra a meio mundo.

O caso do anúncio da compra da vacina chinesa pelo ministro da Saúde, desautorizado pelo capitão após reação de seus seguidores nas redes sociais, está longe de ser caso isolado.

Balões de ensaio e vaivéns são comuns em inícios de mandato. No caso de Bolsonaro, o mandato é que parece voltar sempre à estaca zero.

Leia também

Se não engolir sorrindo a desmoralização pública oferecida pelo chefe, torna-se incerta a presença de Eduardo Pazuello no Ministério da Saúde. Uma possível saída, a terceira em sete meses, tornaria incerto também todo o cronograma já mambembe relativo à saúde pública no país. Inclusive o calendário de vacinação.

Bolsonaro prometia alistar nomes "técnicos" para compor seu ministério. Um a um, ministros e aliados foram caindo, fritados e jogados na estrada por se negarem a converterem equipamento público em altar de louvor ao líder messiânico.

Sobraram os alinhados, e estes tem no desequilíbrio um ponto em comum com o chefe. A promessa de "nomes técnicos" aos poucos foi substituída por uma turma do fundão que passa mais tempo arrumando encrencas e altas confusões do que trabalhando.

Ou alguém se lembra do que fez Abraham Weintraub para a educação do país a não ser ameaçar trocar sopapo com meio mundo, inclusive juíses? Ou o que, se não um apanhado de intenções, resumiria melhor o plano do seu antecessor, Velez Rodrígues, para o setor?

Quando foi convidado a ser consultor econômico da campanha de Bolsonaro a presidente, Paulo Guedes classificou a junção com o futuro chefe como um diálogo entre a ordem e o progresso. Ingênuos viam na aliança uma forma de moderar o discurso e a inclinação intervencionista do capitão.

De lá pra cá, o Posto Ipiranga, que deveria ser o ponto de referência para rumos econômicos, ficou refém do bolsonarismo e se bolsonarizou. Quadros técnicos ligados a ele saíram às pencas e até agora ninguém sabe ninguém viu um desenho mínimo do programa Renda Brasil.

O auxílio emergencial, que se dependesse do governo seria mínimo, foi engordado pelos parlamentares e salvou durante a pandemia a capacidade de compra de boa parte dos brasileiros e também a popularidade do presidente, que se atrelou ao programa e tenta agora torná-lo permanente. Resta saber como e por onde.

A conta gotas, as discussões sobre aumento de impostos, com uma espécie de CPMF repaginada, transformaram o terreno dos investidores em área pantanosa e visibilidade reduzida.

Num ato de fúria, Bolsonaro proibiu qualquer discussão sobre o programa, causando tensão nos mercados e a elevação do dólar. Depois o assunto voltou à pauta.

Oscilações parecidas aconteciam toda vez que o presidente abria a boca para falar da reforma da Previdência.

À entrada do Palácio, a comissão interna de prevenção de acidentes não consegue segurar uma placa contando há quantos dias estamos sem declarar guerra contra alguém.

Desde que tomou posse, Bolsonaro assumiu a postura de beligerância permanente com a imprensa, emissoras não alinhadas, organizações sociais, auxiliares desobedientes, funcionários do Ibama, direção do Inpe e até mesmo com o partido que o elegeu, o PSL.

Menos sangrenta, a passagem-relâmpago de Regina Duarte por Brasília simboliza o ambiente caótico. A postura equilibrada que a atriz apresentou na memorável entrevista à CNN Brasil, também.

No Google, as tagas "presidente ataca" geram 9,6 milhões de resultados em 0,34 segundos. "Presidente recua" tem 4,4 milhões em 0,28 segundos, inclusive o direcionamento a um perfil de paródia no Twitter que em abril listava vaivéns a respeito de nomeações na Polícia Federal, criação de novos ministérios, como o da Segurança Pública, o corta-não-corta em bolsas de pesquisa, congelamento do salário mínimo e até a retirada de desculpas ao primeiro-ministro francês.

Talvez Bolsonaro não saiba, mas segurança não é sinônimo de porrada ou promessa de guerra total. É a ação ou efeito de tornar(-se) seguro; estabilidade, firmeza.

Tudo o que ele não tem.

Ou não demonstrou até aqui, nem mesmo ao liderar o país durante a pandemia, quando mais de 155 mil compatriotas morreram por coronavírus e seus familiares receberam como condolências um debochado “e daí”.

Em tempo. No primeiro semestre de 2020, marcado pela pandemia, o Fórum Brasileiro de Segurança Pública registrou 25.721 mortes violentas, aumento de 7,1% em relação ao mesmo período do ano passado.

Até o momento, a única proposta do presidente para a área é armai-vos uns aos outros. Pois em Rondônia uma milícia armada que atua na grilagem de terras é acusada de emboscar e matar dois policiais, no início do mês, em uma fazenda de Nova Mutum.

Se depender do presidente, o confronto armado será a resposta do cidadão comum que discordar de operações e ordens de autoridades públicas, como os prefeitos e governadores para quem Bolsonaro quis mandar um "recado" com o decreto que ampliou o acesso a munições do país.

Com quase dois anos de governo, o país está mais armado, mais instável, mais imprevisível e mais vulnerável aos humores e desequilíbrios de sua principal liderança. Só não está mais seguro.