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Bolsonaro transforma Embratur em agência com recursos do Sistema S

GUSTAVO URIBE
***ARQUIVO***BRASÍLIA, DF, 14.11.2019 - O presidente Jair Bolsonaro recebe os presidentes dos países do Brics para reunião de cúpula do grupo, no Palácio do Itamaraty, em Brasília (DF). (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O presidente Jair Bolsonaro editou uma medida provisória nesta quarta-feira (27) que transformou a empresa pública Embratur (Instituto Brasileiro de Turismo) em uma agência federal e aumentou a sua capacidade orçamentária.

Pela nova regra, publicada no "Diário Oficial da União", o órgão federal continuará subordinado ao Ministério do Turismo, mas passará a ter orçamento próprio, formado por uma parcela dos recursos destinados hoje ao Sistema S, formado por organizações como Sesi (Serviço Social da Indústria) e Sesc (Serviço Social do Comércio).

Atualmente, o Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) recebe 85,75% do adicional da Cide (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico) repassado ao Sistema S. A iniciativa assinada pelo presidente desloca 15,75% para a Embratur.

A medida provisória também reduz a alíquota do imposto de renda retido na fonte sobre remessas para o exterior. Em 2020, ela passaria de 25% para 7,9% e aumentaria, ano a ano, até chegar ao patamar atual no final de 2024. O texto ainda prorroga benefício fiscal na alíquota do imposto de renda que incide sobre o leasing de aeronaves.

Além da mudança na Embratur, a equipe econômica estuda a remoção de órgãos públicos do Orçamento da União. A ideia é que essas unidades tenham uma execução financeira independente, liberando espaço na conta do teto de gastos. 

Em estudo, estão, por exemplo, o Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia) e o Inpi (Instituto Nacional da Propriedade Industrial).

As entidades reclamam que recolhem muitos recursos aos cofres públicos em taxas cobradas de pessoas e empresas, mas recebem da União uma verba pequena para o próprio funcionamento. 

As medidas fazem parte da intenção do governo de retirar despesas do orçamento da União. O crescimento delas (compostas principalmente por aposentadorias e salários de servidores) tem deixado pouco espaço para as despesas do governo devido à existência do teto de gastos. 

Um dos itens mais prejudicados com o aumento das obrigatórias são os investimentos. Em 2020, a rubrica está prevista em R$ 19 bilhões -o menor patamar da história (em 2014, antes da criação do teto, eram R$ 102 bilhões). 

Para 2021, a equipe econômica estima um cenário ainda mais achatado nas discricionárias.