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Bolsonaro tem semana marcada por descontrole ao ser confrontado sobre filho

(Foto: REUTERS/Adriano Machado)

Por Renato C. Abreu

Na segunda-feira (16), o presidente divulgou apenas uma mensagem. Em um tweet, noticiou a abertura de um escritório da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex) em Jerusalém.

O primeiro ministro israelense Benjamin Netanyahu destacou o potencial do escritório para alavancar a cooperação entre os dois países. “Israel é, talvez, a nação mais dinâmica em termos de inovação: temos uma explosão de engenhosidade aqui. E o Brasil tem um potencial inacreditável. Tem um vasto território, uma população diversificada, universidades, o talento do seu povo, e achamos que se juntarmos os grandes potenciais que os dois países têm, nós podemos nos beneficiar de forma incrível”.

Eduardo Bolsonaro chegou a discursar no evento de inauguração do escritório e destacou o feito em suas redes também.

Já na terça-feira (17), Bolsonaro comemorou uma notícia sobre o pagamento do 13º do Bolsa Família. Segundo o presidente, mais de R$ 5 bilhões serão enviados para mais de 13 milhões de famílias, tornando-se o maior repasse da história do programa.

“O 13° está sendo possível, dentre outras razões, graças às melhorias na gestão do programa, que tem focado, principalmente, no combate às fraudes. O dinheiro deve ir para quem realmente precisa”, disse. A criação do pagamento foi anunciada em abril pelo presidente, após uma promessa durante sua campanha presidencial.

Posteriormente, na quarta-feira (18), o presidente da República enalteceu uma marca batida pela bolsa de valores brasileira. Em meio ao clima de otimismo no mercado nacional gerado por declarações do ministro da Economia Paulo Guedes, o Ibovespa fechou o dia com ganho de 1,51%, batendo o recorde de 114 mil pontos, feito inédito até então.

Paulo Guedes confirma que o déficit fiscal de 2019, previsto em R$ 139 bilhões, ficará em menos de R$ 80 bilhões. Caiu praticamente pela metade. Menor taxa de juros de todos os tempos, Selic a 4,5%. Risco Brasil cai e chega ao menor nível desde 2010”, continuou o presidente.

Na quinta-feira (19), durante sua live semanal, Bolsonaro mais uma vez se envolveu em polêmicas ao falar sobre fundo eleitoral. Durante a transmissão, ele afirmou que conta com recomendações jurídicas para sancionar o fundo, evitando assim a possibilidade de sofrer um impeachment

Nesta semana, Bolsonaro afirmou que pensava em vetar o fundo de R$ 2 bilhões aprovados pelo Congresso. Entretanto, o presidente disse na live que acredita que o veto possa ser visto como “crime de responsabilidade”, ferindo assim “direitos políticos e individuais”.

Após a explicação, aproveitou para cutucar opositores, sem citar o nome de um deles. “Maldosamente tem uma gordinha lá de São Paulo, que está me criticando, uma gordinha. E tem um deputado. O deputado ou falar o nome dele porque não é gordinho. Samuel Moreira está me criticando porque eu é que propus R$ 2 bilhões. Tem também um bobinho me criticando”, declarou.

“Está na lei essa questão do fundo especial de campanha. Tá na lei também o seu valor, não tem valor fixo, mas diz que não pode ser inferior ao de dois anos atrás. A gente tem uma Constituição que diz que são crimes de responsabilidade os atos do presidente da República que atentem contra a Constituição Federal, em especial contra o exercício de direitos políticos, individuais e sociais”, continuou o presidente ao lado secretário da Pesca, Jorge Seif Jr, e do presidente da Embratur, Gilson Machado.

Por fim, na sexta-feira (20), Bolsonaro cometeu seu pior deslize da semana. O presidente mostrou mais uma vez seu lado agressivo após ser questionado por um repórter sobre as suspeitas a respeito de seu filho Flávio Bolsonaro, acusado de lavar dinheiro durante sua época como deputado estadual na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.

Durante a conversa em frente ao Palácio da Alvorada, o jornalista perguntou se Bolsonaro teria um comprovante de empréstimo feito a Fabrício Queiroz, pivô da investigação e assessor de Flávio. Ele depositou R$ 24 mil na conta da primeira-dama Michelle Bolsonaro e o presidente afirma que isso não passa da quitação de um empréstimo de R$ 40 mil.

"Oh rapaz, pergunta para a tua mãe o comprovante que ela deu para o teu pai, tá certo?", disparou o presidente. Em seguida o mesmo repórter questionou detalhes da investigação do Ministério Público do Rio sobre o caso e recebeu outra resposta, considerada por usuários das redes sociais como homofóbica.

"Você tem uma cara de homossexual terrível, nem por isso eu te acuso de ser homossexual. Se bem que não é crime ser homossexual", afirmou. A declaração rapidamente viralizou e tomou conta das manchetes dos principais meios de comunicação do Brasil.

Ministério Público do Rio afirma que Flávio lavou até R$ 2,3 milhões com transações imobiliárias e com sua loja de chocolates em um shopping da Barra da Tijuca, zona oeste da cidade. As operações tiveram como semelhança o uso de grande quantidade de dinheiro vivo.

Para a Promotoria, a origem desses recursos em espécie é o esquema de "rachadinha" no antigo gabinete do senador na Assembleia, operado por Queiroz.