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Bolsonaro recebe líder da ‘bancada da bala’ para discutir novo ministério

Fabio Murakawa

Capitão Augusto levou ao presidente proposta de formato para Ministério da Segurança Publica O presidente Jair Bolsonaro reuniu-se nesta quinta-feira com o deputado federal Capitão Augusto (PL-SP) para discutir a criação do Ministério da Segurança Pública. No encontro, Augusto levou a Bolsonaro uma proposta de formato para a futura pasta – a ser desmembrada do Ministério da Justiça – pediu que ela seja criada antes do fim do ano, argumentando que o país passará por uma crise de segurança em consequência das dificuldades econômicas causadas pela pandemia de covid-19.

A medida é uma reivindicação antiga da Frente Parlamentar da Segurança Pública, conhecida como a “bancada da bala” e presidida por Augusto. No encontro com o presidente, o deputado reiterou o apoio da bancada ao nome do ex-deputado Alberto Fraga (DEM-DF) para comandar o novo ministério.

Capitão Augusto participa de reunião na Câmara dos Deputados

Reila Maria/Câmara dos Deputados

“Nosso segundo ponto seria a questão do prazo. Entendemos que esse ministério deveria ser criado antes da crise da segurança. Porque você criar o ministério depois de nós estarmos vivenciando a crise de segurança é algo que para nós seria difícil”, afirmou.

A proposta levada a Bolsonaro prevê a elevação da Secretaria Nacional da Segurança Pública (Senasp) ao status de ministério. Isso excluiria da nova pasta a Polícia Federal, a Polícia Rodoviária Federal e o Departamento Penitenciário Nacional (Depen), que seriam mantidos na estrutura da Justiça.

“Entendemos que esses órgãos federais deveriam ficar junto ao Ministério da Justiça. O nosso trabalho seria mais o de integração das 27 polícias militares, dos 27 corpos de bombeiros militares, das 27 polícias civis em todos os Estados, das guardas municipais, dos agentes penitenciários estaduais”, disse Augusto ao deixar o Palácio do Planalto.

Segundo ele, o presidente concordou que o ministério deve ser criado ainda neste ano, mas não cravou um nome para a pasta, embora tenha admitido nesta semana que Fraga é “um dos cotados” para o posto. O outro candidato é Anderson Torres, secretário de Segurança Pública do Distrito Federal. Ele é apoiado pelo ministro Jorge Oliveira, da Secretaria-Geral, que despacha no Palácio do Planalto e é um dos auxiliares mais próximos de Bolsonaro.

A reunião com Bolsonaro foi precedida de um encontro entre Augusto e Oliveira, que durou quase duas horas, segundo o deputado.

“O presidente não bateu o martelo em absolutamente nada de nomes. É somente uma indicação, e obviamente compete ao governo, se criado o Ministério da Segurança, qual nome estará à frente para presidir”, afirmou.

Para Augusto, o nome de Fraga é “consenso” na bancada, mas somente para o caso de a Polícia Federal não ir para nova pasta. “Se vier, na criação do Ministério da Segurança, junto a Polícia Federal e a Polícia Rodoviária Federal, fica muito difícil você sustentar o nome de um coronel da Polícia Militar”, disse. “Isso teria que ser discutido, porque haveria conflito interno e nós já presenciamos isso no mandato passado.”

O deputado se referia à criação do ministério no governo Michel Temer, quando foi necessário chamar Raul Jungmann, “um nome de fora” das forças policiais, para chefiar a pasta.