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Bolsonaro posta vídeo que prega uso de remédios não eficazes contra a Covid-19 e diz que vacina "está a caminho"

João Conrado Kneipp
·2 minuto de leitura
Brazil's president Jair Bolsonaro speaks during the swearing-in ceremony of the Brazil's Tourism Minister Gilson Machado, amidst the Coronavirus (COVID - 19) pandemic at Planalto Palace on December 17, 2020 in Brasilia. (Photo by Andre Borges/NurPhoto via Getty Images)
Bolsonaro pregou o tratamento precoce da Covid-19 e destacou que a “vacina emergencial e não obrigatória está a caminho”. (Foto: Andre Borges/NurPhoto via Getty Images)

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) postou, na manhã desta segunda-feira (4), um vídeo em suas redes sociais defendendo a utilização de remédios não comprovadamente eficazes contra o novo coronavírus.

Na postagem, Bolsonaro pregou que o tratamento precoce da Covid-19 “salva vidas” e ainda destacou que a “vacina emergencial e não obrigatória está a caminho”.

No vídeo, o médico Anthony Wong aparece em uma entrevista ao programa “Direto ao Ponto”, da Jovem Pan, na qual defende o uso de diversos medicamentos contra a Covid-19 como hidroxicloroquina, cloroquina, ivermectina e azitromicina.

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O médico, que é pediatra e toxicologista da Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo), é questionado sobre os motivos então da OMS (Organização Mundial de Saúde) não defender o tratamento precoce contra a Covid-19.

“Não sei. Isso é muito difícil. Tem muito dinheiro envolvido”, responde ele.

Em outubro deste ano, a OMS publicou um estudo que confirma a ineficácia dos remédios remdesivir e cloroquina/hidroxicloroquina para o tratamento do novo coronavírus. O estudo foi conduzido em 405 hospitais em 30 países diferentes e envolveu um total de 11.266 adultos.

“Os resultados preliminares do Solidarity Therapeutics Trial, coordenado pela OMS, indicam que o remdesivir, que a hidroxicloroquina, a combinação lopinavir/ritonavir e os tratamentos à base de interferon parecem ter um pequeno ou inexistente efeito sobre a mortalidade em 28 dias ou no percurso hospitalar do Covid-19 entre os pacientes recuperados”, informa o documento.

VACINA “A CAMINHO”, DIZ BOLSONARO

O presidente também ressaltou que a “vacina emergencial” será “não obrigatória” e só ficará disponível após aprovação da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

No fim de dezembro, a Anvisa afirmou que a Fiocruz deverá pedir o uso emergencial da vacina da Astrazeneca. O instituto brasileiro tem parceria com o laboratório britânico no desenvolvimento do imunizante.

Em comunicado, a Anvisa informou que a empresa não identificou dificuldades para atender os requisitos da agência reguladora. No entanto, a nota não fala sobre qualquer prazo para apresentação do pedido.

O prazo para análise da Anvisa é de 10 dias, a partir da entrada do pedido.

A previsão do ministério da Saúde é que a vacinação no Brasil comece em fevereiro. Entre 8 e 12 de fevereiro, o governo federal espera receber o primeiro lota com um milhão de doses do imunizante da Astrazeneca.