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Bolsonaro pede que apoiadores fiquem em casa para que Força Nacional “faça seu trabalho”

Marcelo Ribeiro

Em discurso, presidente chamou manifestantes antigoverno de “terroristas” e “marginais” O presidente Jair Bolsonaro pediu nesta sexta-feira que manifestantes favoráveis ao governo não compareçam a protestos nos próximos dias para que as forças de segurança façam seu trabalho para evitar que “marginais extrapolem os limites da lei”.

“[A] quem luta pela democracia, quer o governo funcionando, quer um Brasil melhor e preza pela sua liberdade, a gente pede que não compareça às ruas nestes dias para que possamos, a Força de Segurança, não só estaduais, como a nossa federal, faça seu devido trabalho, por ventura, caso esses marginais extrapolem os limites da lei”, disse Bolsonaro durante evento de inauguração do hospital de campanha de Águas Lindas, em Goiás.

O chefe do Poder Executivo voltou a atacar manifestantes pró-democracia e os associou ao terrorismo. “São terroristas, maconheiros, desocupados que não sabem o que é economia e o que é trabalhar. Querem quebrar o Brasil em nome de uma democracia que eles nunca souberam o que é.”

Polícia Militar reprime manifestação em defesa da democracia na Av. Paulista, em São Paulo

Andre Penner/AP

Bolsonaro disse que o governo, “apesar da pandemia”, está trabalhando para buscar soluções para que a economia volte a girar “o mais rápido possível”.

“A gente espera que a roda da economia volte a funcionar o mais rápido possível. Até porque sabemos que a taxa de desemprego cresce. Quando ela cresce, a violência aumenta. Tem aumentado, durante o isolamento, a questão da violência doméstica. Espero que a questão do vírus, se Deus quiser, se atenue rapidamente e que o comércio volte a funcional”, afirmou.

Durante seu breve discurso, ele disse que não falaria na solenidade, mas que mudou de ideia após o discurso elogioso do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, que chegou a romper com Bolsonaro no fim de março, por ele minimizar a pandemia e ir contra o isolamento social como forma de prevenção.

“Depois que ouvi o Caiado, eu me animei. Com suas palavras amáveis, me tocou. Sempre fomos amigos e morreremos amigos”, disse sobre o político do DEM.

Como resposta às declarações de Caiado sobre os feitos do governo federal nos entes federativos, o presidente afirmou que os recursos são dos Estados e municípios, não dele. “Apenas que agora os recursos enviados aos Estados estão melhor direcionados e mais fiscalizados”, completou. “Há uma responsabilidade muito grande do governo federal.”

Ao chegar para evento, Bolsonaro sofreu um pequeno acidente. Ele escorregou na lama e caiu, mas se levantou rapidamente, sem se machucar.