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Bolsonaro: “Não é mais barato investir na cura do que na vacina?”

Ana Paula Ramos
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Brazil's President Jair Bolsonaro reacts after attending the COVID-19 Clinical Study result announcement at the Planalto Palace in Brasilia, Brazil, on October 19, 2020. (Photo by Andre Borges/NurPhoto via Getty Images)
Brazil's President Jair Bolsonaro reacts after attending the COVID-19 Clinical Study result announcement at the Planalto Palace in Brasilia, Brazil, on October 19, 2020. (Photo by Andre Borges/NurPhoto via Getty Images)

O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta segunda-feira (26), no Palácio da Alvorada, que talvez seja mais interessante investir na cura da covid-19 e não na vacina contra a doença, já que, segundo ele, a produção de uma vacina poderia levar pelo menos quatro anos, com base em produções anteriores.

"Agora, pelo que tudo indica, né, todo mundo diz que a vacina que menos demorou foram quatro anos. Eu não sei porque correr em cima dessa. Eu dou minha opinião pessoal. Não é mais barato ou mais fácil investir na cura do que até na vacina? Ou jogar nas duas, mas também não esquecer da cura", afirmou a apoiadores em Brasília.

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Bolsonaro ainda insistiu no uso da hidroxicloroquina no tratamento contra a doença. O medicamento não tem eficácia científica comprovada, mas o presidente disse que é testemunha de que o remédio é eficaz.

"A cura, eu, por exemplo, sou testemunha. Eu tomei a hidroxicloroquina, outros tomaram ivermectina, outros tomaram Annita e deu certo. Pelo que tudo indica, todo mundo que tratou precocemente com uma dessas três opções foi curado", acrescentou.

VACINA

Em relação à vacina de Oxford, Bolsonaro também disse que ela está apresentando resultados promissores e que diversas empresas e universidades estão empenhadas em encontrar uma vacina contra a covid. "O que a gente tem que fazer é não querer correr, não querer atropelar", afirmou o presidente.

O presidente disse ainda que vai conversar, nesta segunda, com o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, sobre o assunto.

Na semana passada, o presidente disse que a Coronovac, vacina do laboratório chinês Sinovac e desenvolvida no Brasil pelo Instituto Butantan, não será adquirida pelo governo federal, independente de autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária.

“A da China nós não compraremos, é decisão minha. Eu não acredito que ela transmita segurança suficiente para a população. Esse é o pensamento nosso. Tenho certeza que outras vacinas que estão em estudo poderão ser comprovadas cientificamente, não sei quando, pode durar anos”, afirmou.

Segundo ele, existe um “descrédito muito grande” em relação ao imunizante e indicou que não aceitará ser vacinado contra a doença.

Bolsonaro também já se mostrou contrário a vacinação obrigatória contra o novo coronavírus e disse que a decisão sobre a vacina não deveria ser judicializada.

"Não pode um juiz decidir se você vai ou não tomar a vacina. Isso não existe. Nós queremos é buscar solução para o caso", declarou.

Na sexta-feira (23), o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Luiz Fux, disse que a judicialização sobre o tema da vacinação "será importante". Partidos como PCdoB, PSOL, PT, PSB e Cidadania entraram com pedido na Corte para tentar obrigar o governo a colaborar com o desenvolvimento de toda e qualquer vacina contra a covid-19 em pesquisa no país.