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Em live, Bolsonaro confirma Kassio Nunes para STF e provoca: "Quer que eu troque pelo Sergio Moro?"

Redação Notícias
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BRASILIA, BRAZIL - SEPTEMBER 28: Jair Bolsonaro, President of Brazil looks on during the launch ceremony of the "Mineracao e Desenvolvimento" Program on September 28, 2020 in Brasilia, Brazil. The program presents more than a hundred goals and actions for up to 2023 and aims at the quantitative and qualitative expansion of the Brazilian mineral sector and the image of mining with society. (Photo by Andre Borges/Getty Images)
Bolsonaro já falou que a outra vaga será de um evangélico (Foto: Getty Images)

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) confirmou em sua live semanal nesta quinta-feira (1º) a indicação do desembargador Kassio Nunes Marques para o Supremo Tribunal Federal para a vaga do decano Celso de Mello, que se aposenta no dia 13 de outubro.

Nunes, que já tinha o nome cotado para a vaga nos últimos dias, terá o nome publicado amanhã no Diário Oficial como indicado do governo federal, afirmou Bolsonaro. "Sai publicado amanhã o nome do Kassio Marques para nossa primeira vaga no STF. Temos pressa, por causa da pandemia", afirmou Bolsonaro.

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O presidente defendeu o desembargador das críticas que ele tem recebido, inclusive de apoiadores do governo federal, e citou o nome do ex-ministro da Justiça Sergio Moro – hoje seu desafeto político – ao indicar que ele não apoiaria as causas defendidas por Bolsonaro.

"Você que está duvidando de mim ainda. Do ano passado até abril desse ano, vocês não o Sergio Moro para o Supremo, não é isso? E me ameaçavam no Facebook, 'se não for o Sergio Moro para o Supremo, acabou!' Agora você quer que eu troque o Kassio pelo Sergio Moro? Responda aí", desafiou o presidente, na live. "Você quer o Sergio Moro para o Supremo? Será que vai ser um ministro leal a nossas causas? Será que vai ser aprovado pelo Senado Federal?"

Na sequência, Bolsonaro disse que "a amizade é uma questão importante". "Tem que tomar uma tubaína comigo. Não adianta chegar um currículo maravilhoso, indicado por autoridades. Se eu não conhecer, não vou indicar", afirmou o presidente.

Ao fazer o comentário, Bolsonaro confirmou que indicará um nome "terrivelmente evangélico" para a segunda vaga que será aberta no STF durante sua gestão – o ministro Marco Aurélio Mello se aposentará compulsoriamente em julho do ano que vem.

Ele disse ter "compromisso com um [nome] evangélico". "E por quê? Porque tenho tremendo respeito por mais dos 30% evangélicos no Brasil", declarou.

"Mas não é só ser evangélico, tem que transitar por Brasília. Não é para votar e perder por 10 a 1. Quero que a pessoa vote de acordo com as suas convicções, de acordo com o interesse dos conservadores, mas que busque maneira de ganhar lá [no STF] também. Quero que ele converse", disse o presidente.

Indicação está "levando tiro", reclama presidente

Ao citar Kassio Nunes e seu eventual indicado evangélico para o Supremo Tribunal Federal, Bolsonaro citou as críticas que alguns dos nomes ventilados receberam até mesmo de aliados do presidente. Segundo ele, Kassio Nunes está "levando tiro, como seria com qualquer um que indicasse".

"Começa a atirar no cara, acusar de comunista, de ligado ao PT", reclamou o presidente – Kassio Nunes foi indicado ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), em 2011, com o aval da então presidente Dilma Rousseff.

"Dizem que ele é desarmamentista. Nada a ver. Já tomou muita tubaína comigo. Ele é católico, família. Vocês vão gostar do trabalho dele no STF", declarou.

Bolsonaro também defendeu Nunes por ter sido o responsável pela decisão que liberou a licitação do STF que previa a compra de itens como lagosta. "Vão desqualificar o desembargador proque ele deu uma liminar pra retomar o cardápio do Supremo?", questionou. "Isso vai de cada instituição. Eu não vou criticar o Supremo por causa disso."

Ele também falou que não "tem nada demais em comer lagosta". "Quem pode, come, quem não pode, não come."

Na sequência, ele defendeu André Mendonça, ministro da Justiça e Segurança Pública, e o citou como um "nome na fita" para a segunda vaga no Supremo. "Ele está na fita, e o Jorge [Oliveira, secretário-geral da Presidência] está na fita. Falo o nome deles porque são ligados a mim, mas tem mais gente na fita", declarou.