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Bolsonaro fala em “página virada” e que problema com a China “não existe”

Rafael Bitencourt e Fabio Murakawa

Filho do presidente discutiu com o embaixador e culpou o governo chinês pelo novo coronavírus O presidente Jair Bolsonaro minimizou na manhã desta sexta-feira as declarações de hostilidade à China feitas por um de seus filhos, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP). Na quarta-feira, o parlamentar responsabilizou Pequim pela pandemia mundial do novo coronavírus, episódio que evoluiu para um embate de postagens no Twitter com o embaixador da China no Brasil, Yang Wanming.

“Isso tudo é página virada, não existe problema com a China”, disse o presidente em declaração à jornalista em frente ao Palácio da Alvorada.

José Cruz/Agência Brasil

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Bolsonaro mencionou que é comum a referência ao fato da transmissão do vírus ter começado na China, inclusive na imprensa. “Vocês têm escrito há mais de dois meses que o vírus nasceu na China”, afirmou. Em seguida, ele disse que o governo brasileiro está “muito bem” com as autoridade de Pequim.

Questionado se concorda com a declaração do filho, o presidente afirmou que não manifestaria opinião sobre o tema e que, se fosse preciso, poderia fazer um telefonema ao presidente do país, Xi Jinping. Ressaltou, no entanto, que haveria assuntos mais importantes a tratar com ele.

“Tem uma necessidade muito maior. Lá, a curva está em descendência, os hospitais estão sendo desativados. Se houver necessidade, eu ligarei, sim, sem problema nenhum. Faz parte do meu ofício tomar uma atitude como essa”, disse.

Uruguai

Bolsonaro também disse nesta sexta-feira que mantém conversas com o novo presidente do Uruguai, Luis Lacalle Pou, sobre a possibilidade de fechar a fronteira entre os dois países. Na quinta, o governo brasileiro anunciou a restrição de acesso com mais oitos países de fronteira, além da Venezuela, decidida anteriormente, para tentar conter o avanço da pandemia.

“Houve decisões de outros países, foi de comum acordo. Com Uruguai, o presidente recém assumiu, estamos conversando para fazer algo de comum acordo”, afirmou.

O presidente disse que é preciso tomar cuidado para que a população não entre em “pânico”, o que, para ele, “piora a situação”. “Tenho que falar a verdade e transmitir tranquilidade ao povo brasileiro”.

Sobre o fechamento das fronteiras marítimas, Bolsonaro ainda afirmou que o assunto ainda está sendo tratado nas questões que envolvem os cruzeiros turísticos.