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"Sou responsável pelo que acontece no Poder Executivo”, diz Bolsonaro, sem falar de Lula

Fabio Murakawa e Marcelo Ribeiro

Presidente participou de cerimônia de entrega de ônibus escolares ao lado do governador Ronaldo Caiado O presidente Jair Bolsonaro evitou comentar a soltura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao discursar durante evento de entrega de ônibus escolares em Goiânia momentos após a ordem expedida por um juiz federal de Curitiba. Após a notícia se espalhar pelo país, Bolsonaro cancelou uma entrevista coletiva prevista para depois do evento e barrou a presença de jornalistas na inauguração do escritório político do líder do governo na Câmara, Major Vitor Hugo (PSL-GO), sua última agenda em Goiânia.

Ao chegar a Brasília, o presidente voltou a evitar a imprensa e falou apenas com seus apoiadores. “Não vou entrar em canoa furada, tenho responsabilidade com todos vocês. Eu sou responsável por aquilo que acontece no Poder Executivo”, disse Bolsonaro ao chegar ao Palácio da Alvorada.

O presidente não deixou claro a que se referia quando disse que respondia apenas pelo Executivo. Ontem, o Supremo Tribunal Federal (STF) derrubou a legalidade da prisão após condenação em segunda instância.

Agenda em Goiânia

O presidente permaneceu por cerca de quatro horas na capital goiana. Por volta das 16h20, quando a soltura foi expedida, Bolsonaro escutava o governador Ronaldo Caiado discursar sobre os ônibus escolares em um palco improvisado no estacionamento do estádio Serra Dourada, onde a entrega aconteceu.

Momentos depois, um assessor do Planalto subiu ao palco e mostrou um celular para Bolsonaro. O presidente olhou para o aparelho e cochichou no ouvido do ministro da Educação, Abraham Weintraub, sentado ao seu lado. Depois, o assessor subiu uma segunda vez ao palco, falou ao ouvido de Bolsonaro, que fez um sinal negativo.

Em sua fala, que durou pouco mais de 7 minutos, Bolsonaro preferiu exaltar o fato de o Enem não haver apresentado questões com “ideologia política ou de gênero” em sua primeira etapa, cuja prova ocorreu no último domingo.

Weintraub (esq.), Bolsonaro e Caiado em cerimônia de entrega de ônibus, em Goiânia (GO)

Isac Nóbrega/PR

“Ninguém foi deseducado nas questões apresentadas no domingo passado. E ninguém será deseducado com toda a certeza nessa segunda parte no domingo que vem”, disse Bolsonaro.

“Queremos botar nessas provas matérias onde a grande maioria reconheça a família, reconheça o valor do Estado brasileiro, que respeite as crianças na sala de aula. Sem ideologia política ou de gênero.” .

Bolsonaro participou nesta sexta-feira em Goiânia da cerimônia de entrega de 214 ônibus escolares para 133 municípios do Estado. Os veículos custaram R$ 43,3 milhões, fruto de repasses de emendas parlamentares ao Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) como parte do programa Caminho da Escola.

O programa foi lançado na gestão Luiz Inácio Lula da Silva, com o objetivo de renovar e ampliar a frota escolar no país. No evento, Weintraub também discursou e chegou a criticar a existência do próprio Ministério da Educação.

“A escola ensina a ler, ensina a escrever, ensina a fazer conta, ensina uma profissão. Quem educa é a família”, discursou. “Esse negócio de Ministério da Educação começou com Getúlio Vargas e caiu como uma luva para os vermelhinhos. Os vermelhinhos querem dizer como a gente educa os nossos filhos. Não é o Estado que tem que dizer como a gente educa os nossos filhos”.

Imprensa barrada

Após a entrega dos veículos, estava prevista uma entrevista coletiva no estacionamento do estádio Serra Dourada, que acabou não ocorrendo. A equipe de Secretaria de Comunicação Social do Planalto (Secom) chegou a comunicar aos jornalistas que eles teriam direito a fazer três perguntas ao presidente. Nesse momento, enquanto os repórteres se ajeitavam no local destinado à coletiva, os assessores foram informados que Bolsonaro já havia deixado o Serra Dourada.

A comitiva presidencial deslocou-se, então, para o escritório de Major Vitor Hugo. Embora a assessoria de imprensa do deputado tenha informado pela manhã que haveria um local destinado à imprensa, os jornalistas foram barrados a 50 metros da porta.

Bolsonaro permaneceu por cerca de 15 minutos no escritório, localizado no Setor Bueno, um bairro de Goiânia. Ao sair, acenou para populares e conversou com policiais e bombeiros do lado de fora.

Depois de alguns minutos, ele partiu de volta à capital com sua comitiva, formada pelos ministros Weintraub, Jorge Oliveira (Secretaria-Geral) e Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional).

Por volta das 17h40 horas, quando as TVs mostravam imagens de Lula fora da carceragem da PF em Curitiba, Bolsonaro já rumava para o aeroporto Santa Genoveva, em Goiânia, de onde decolaria de volta para Brasília.

Ministro da Educação

O programa foi lançado na gestão Luiz Inácio Lula da Silva, com o objetivo de renovar e ampliar a frota escolar no país. No evento, o ministro da Educação, Abraham Weintraub, também discursou e chegou a criticar a existência do próprio Ministério da Educação.

“A escola ensina a ler, ensina a escrever, ensina a fazer conta, ensina uma profissão. Quem educa é a família”, discursou. “Esse negócio de Ministério da Educação começou com Getúlio Vargas e caiu como uma luva para os vermelhinhos. Os vermelhinhos querem dizer como a gente educa os nossos filhos. Não é o Estado que tem que dizer como a gente educa os nossos filhos”.

Bolsonaro ainda tem mais um compromisso na capital goiana. Ele vai inaugurar o escritório político do deputado Major Vitor Hugo (PSL-GO), líder do governo na Câmara.