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Bolsonaro é ameaça à América Latina e seria um presidente desastroso, diz editorial da Economist

(Reuters/The Economist)

O candidato à presidência Jair Bolsonaro (PSL) é capa da revista The Economist deste mês e também figura central do editorial publicado pela britânica, um dos veículos liberais mais respeitados do mundo. Nele, o candidato é classificado como “a mais recente ameaça da América Latina”. Como relata a publicação, o Brasil enfrenta uma grave crise.

“A economia está um desastre, as finanças públicas estão sob pressão e a política completamente podre”, afirma. “Bolsonaro, cujo nome do meio é Messias, promete a salvação; na verdade, ele é uma ameaça para o Brasil e para a América Latina”, diz a revista.

Corrupção

A revista aponta que até os escândalos da Lava Jato, Bolsonaro não era conhecido no país todo, apesar de seus sete mandatos pelo Rio de Janeiro. “Para os brasileiros, desesperados para se livrarem de políticos corruptos e traficantes de drogas assassinos, Bolsonaro se apresenta como um xerife sensato. Cristão evangélico, ele mistura o conservadorismo social com o liberalismo econômico, ao qual ele se converteu recentemente”, destaca a publicação.

Com o cenário de descontentamento da população, o candidato estaria conquistando terreno ao se mostrar diferente do ”establishment político de Brasília”.

Ditadura

A The Economist ainda classifica como “preocupante” a admiração do candidato pela ditadura ”Ele dedicou seu voto para destituir Dilma Rousseff ao comandante de uma unidade responsável por 500 casos de tortura e 40 assassinatos sob o regime militar, que governou o Brasil de 1964 a 1985”. “Se ele vencesse, poderia colocar em risco a própria sobrevivência da democracia no maior país da América Latina”, justifica.

‘Curar’ a democracia vai demorar

Para a revista, o candidato não é a solução para os problemas do Brasil e é preciso prestar atenção. “Em vez de cair nas promessas vãs de um político perigoso, na esperança de que ele possa resolver todos os seus problemas, os brasileiros devem perceber que a tarefa de curar sua democracia e reformar sua economia não será fácil nem rápida. Algum progresso foi feito – como a proibição de doações corporativas a partidos e o congelamento de gastos federais. Muito mais reformas são necessárias. Bolsonaro não é o homem que vai entregar.”

Essa não é a primeira vez que a publicação critica Bolsonaro. Em agosto deste ano, a The Economist classificou o candidato como “um risco à democracia” e destacando sua postura perante temas de minorias. Segundo o editorial, na época, o presidenciável não demonstrava conhecer o suficiente os problemas de seu país.