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Bolsonaro diz que pode ter tido covid-19 e acusa Mandetta por “exagero” e “números fictícios”

Luísa Martins

“Acho que eu já fui contaminado, dada a maneira que vim de um avião dos EUA”, afirmou O presidente Jair Bolsonaro reconheceu, em live transmitida pelo Facebook nesta quinta-feira, que pode ter sido infectado pelo novo coronavírus depois de viajar aos Estados Unidos com uma comitiva em que mais de 20 pessoas testaram positivo para a covid-19.

"Acho que eu já fui contaminado, dada a maneira que vim de um avião dos Estados Unidos. Acho que 23 [pessoas] do avião pegaram [a doença]", disse Bolsonaro.

Andre Borges/AP

No mês passado, o presidente enviou ao Supremo Tribunal Federal (STF) os resultados negativos de exames para a detecção da covid-19. Ele não falou, no vídeo desta quinta-feira, se foi submetido a outros testes ou se sentiu os sintomas da infecção.

Bolsonaro falava sobre o fato de não ter tomado cloroquina de modo preventivo, a exemplo do que havia feito o presidente americano, Donald Trump. Mas voltou a defender o medicamento, que não tem eficácia comprovada para o tratamento da doença.

“Supernotificação”

Apesar de pesquisas científicas mostrarem que o número de casos da covid-19 pode ser até sete vezes maior do que os efetivamente registrados, Bolsonaro voltou a sugerir que há supernotificação do número de mortes.

Ele diz ter recebido "dezenas" de denúncias em que a pessoa morreu devido a outros problemas de saúde, mas os atestados de óbito entregues aos familiares apontavam covid-19 como a causa do falecimento.

"Não entendo o que querem ganhar com isso. Talvez os caras estejam aproveitando as pessoas que falecem para ter algum ganho político e colocar a culpa no governo federal", afirmou, sem especificar quem seriam "os caras".

De acordo com o presidente, casos de morte em que o paciente já tinha outras comorbidades, como cardiopatias e insuficiência respiratória, não poderiam ser contabilizado entre as mortes por covid-19 mesmo que testassem positivo para a doença.

"Nos casos de idade avançada, infelizmente, a possibilidade de entrar em óbito é grande. E tudo o que o governo federal podia fazer para conter, ele fez. Tem gente que morre com covid e outras de covid. É difícil separar, mas não queremos números que não condizem com a verdade", disse, negando que o governo tenha tentado "esconder dados" da população.

Mandetta e OMS

Bolsonaro ainda afirmou que o ex-ministro Luiz Henrique Mandetta, que comandava o Ministério da Saúde no início da pandemia, apresentava "números fictícios" e "exagerava" para gerar "pavor" e "vendia o peixe" da Organização Mundial de Saúde (OMS) sobre o isolamento social.

Em seguida, o assessor-chefe do governo para assuntos internacionais, Filipe Martins, disse que, "ao longo da história, sempre se adotou quarentena apenas para pessoas doentes". A bibliografia citada foi a Bíblia, que narra o isolamento para portadores de lepra.

Bolsonaro voltou a criticar os governadores que têm optado por não flexibilizar o isolamento social, já que e os hospitais estariam conseguindo atender à demanda dos pacientes infectados. "Posso estar equivocado, mas ninguém perdeu a vida por falta de respirador ou leito de UTI."

Em outra crítica recorrente, disse que a OMS estava "oscilando bastante" em suas orientações sobre uso de máscaras e afirmações sobre a transmissão de pessoas assintomáticas, revelando-se, segundo ele, uma organização "contraditória e fajuta".