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Bolsonaro diz que Judiciário não pode ‘abusar’ e expor intimidade

Luísa Martins

Presidente referiu-se ao compartilhamento de provas entre o inquérito das fake news, em curso no STF e as ações que pedem a sua cassação no TSE O presidente Jair Bolsonaro disse que o Judiciário "não pode abusar" e deferir o compartilhamento de provas entre o inquérito das fake news, em curso no Supremo Tribunal Federal (STF), e as ações que pedem a sua cassação, que já começaram a ser julgadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

"Espero que tudo seja feito à luz da legislação. Que não abusem, porque ninguém pode admitir, em sã consciência, ter a intimidade violada e talvez ser condenado com provas produzidas no intuito de tornar a opinião pública mais hostil a essa ou àquela autoridade", disse em live nesta quinta-feira.

Segundo o presidente, essa é uma tentativa dos partidos de "querer decidir no tapetão" as eleições que perderam em 2018. "A gente fica preocupado, mas não tem cabimento prosperar uma ação nesse sentido."

O TSE analisa uma ação que pede a cassação de Bolsonaro por ter se beneficiado de uma invasão hacker a um grupo de Facebook com milhões de mulheres, responsáveis pelo movimento #EleNão que ganhou as ruas do país durante a campanha.

Quanto ao inquérito das fake news, o presidente criticou a operação da Polícia Federal (PF) autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, em endereços ligados a blogueiros e empresários bolsonaristas.

O assessor do governo para assuntos internacionais, Filipe Martins, disse que a investigação não pode continuar em andamento pois apura um crime que não existe, já que espalhar fake news não é um delito previsto no Código Penal.

Em relação às operações policiais, Bolsonaro aproveitou para dizer que "não tem informação privilegiada" da corporação - a sua interferência na autonomia da PF é investigada em um outro inquérito no Supremo, aberto a partir do anúncio de demissão do ex-ministro Sergio Moro.

Ele defendeu a deputada Carla Zambelli (PSL-SP) e disse que é uma "patifaria da imprensa" sugerir que ela tinha conhecimento prévio sobre operações da PF. Na semana passada, a parlamentar disse à Rádio Gaúcha que outros governadores, além de Wilson Witzel (Rio de Janeiro), seriam alvos de operação sobre fraudes na compra de respiradores para o combate à pandemia.

Apesar de Bolsonaro e Martins dizerem que ela falava hipoteticamente, o fato acabou por se confirmar. Ontem, a PF mirou supostas irregularidades cometidas pelo governador do Pará, Helder Barbalho.