Mercado fechará em 2 h 3 min

Bolsonaro diz que Doria está 'desmoralizado' por 'baixa taxa de sucesso' da CoronaVac

Daniel Gullino e Gustavo Maia
·3 minuto de leitura

BRASÍLIA — O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou nesta sexta-feira (15) que o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), ficou "desmoralizado" pelo o que ele chamou de "baixa taxa de sucesso" da CoronaVac. A vacina, desenvolvida pela farmacêutica chinesa Sinovac em parceria com o Instituto Butantan, teve eficácia de 50,38%, logo acima do mínimo de 50% exigido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

A declaração de Bolsonaro foi feita durante entrevista à Band. Ele foi perguntado se processaria Doria, que horas antes o chamou de "facínora" durante entrevista coletiva em São Paulo. O presidente disse que pediria para ministros avaliarem a questão, mas disse que não quer "tomar tempo" deles.

— Vou tomar tempo dessas pessoas para fazer uma ação contra esse cara de São Paulo que foi desmoralizado pela baixa taxa de sucesso na sua vacina, que ele tanto defendeu. Nunca vi um político defender tanto a vida. Geralmente os interesses são outros — disse Bolsonaro na entrevista.

O governo federal assinou um contrato de compra de 46 milhões de doses da CoronaVac. Nesta sexta-feira, o Ministério da Saúde solicitou ao Instituto Butantan a entrega "imediata" de seis milhões de doses importadas da vacina.

Na entrevista, o presidente também disse que Doria está sendo "esculachado nas mídias sociais" por causa dos resultados dos testes da CoronaVac, mas acrescentou que não iria falar "nem contra, nem a favor" do imunizante antes de ele ser analisada pela Anvisa.

— Ele está sendo esculachado nas mídias sociais sobre a vacina que ele queria impor. Ele disse que a vacina que seria dele, a CoronaVac aí, que eu não vou falar nada nem contra nem a favor... Eu falo é depois da Anvisa decidir. Entre eu e a vacina existe a Anvisa.

Bolsonaro ainda criticou Doria diversas vezes durante a entrevista, chamando-o de "canalha", "inconsequente", "irresponsável" e dizendo que ele "não tem moral" e que quer "jogar a responsabilidade" para o governo federal.

Bolsonaro também criticou o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que participou com Doria da entrevista coletiva. O presidente afirmou que Maia atrasou a "agenda do Brasil" e que agora só se preocupa com a eleição da Mesa Diretora da Câmara, que ocorrerá em fevereiro.

— E ele (Doria) se junta com o Rodrigo Maia agora, que está em campanha, quer dar uma de moralista, foi um dos responsáveis por atrasar a agenda do Brasil por dois anos, por medidas que ele não botou em votação, fez caducar muitas medidas provisórias que tratavam de vários assuntos, e a preocupação dele é a eleição agora dia 1º.

Bolsonaro ainda fez referência ao apelido "Botafogo", que Maia tinha em planilhas internas da Odebrecht. Maia é investigado por supostamente receber pagamento ilícitos. Entretanto, ao contrário de que disse Bolsonaro, por enquanto não houve a apresentação de uma denúncia.

— Senhor Rodrigo Maia, eu não estou denunciado no Supremo Tribunal Federal. Não tem, eu não sou "Botafogo"... Eu sou Botafogo porque torço para o Botafogo no Rio de Janeiro e para o Palmeiras em São Paulo, mas não sou "Botafogo" por estar na planilha da Odebrecht.