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Bolsonaro diz que dificilmente PIB crescerá 2% neste ano

GUSTAVO URIBE
***ARQUIVO***BRASÍLIA, DF, 13.03.2020 - O presidente Jair Bolsonaro cumprimenta apoiadores na saída do Palácio da Alvorada, em Brasília. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou nesta segunda-feira (16) que dificilmente o PIB (Produto Interno Bruto) crescerá 2% neste ano diante da pandemia de coronavírus.

Em entrevista por telefone à Rádio Bandeirantes, ele disse que se preocupa com os efeitos da doença sobre a atividade econômica e que o país não pode parar por causa da pandemia.

"Preocupa bastante. A previsão nossa, para este ano, era crescer 2%, a previsão. Com esse problema, dificilmente vai chegar a isso daí", disse.

No início deste mês, o ministro da Economia, Paulo Guedes, disse que, diante da doença, trabalha com uma expectativa de crescimento de 2% para a economia neste ano.

"Nós não seremos omissos aos reclamos da sociedade. A nossa preocupação existe. Agora, nossa economia não é a americana, que anuncia bilhões. A gente não tem recurso para isso", afirmou o presidente.

Bolsonaro argumentou que a economia não pode parar por causa da doença e defendeu, por exemplo, que jogos de futebol não sejam cancelados.

"Vai ter um caos muito maior se a economia afundar. Se a economia afundar, afunda o Brasil. E qual o interesse dessas lideranças políticas? Se acabar a economia, acaba qualquer governo. Acaba o meu governo", disse.

O presidente informou ainda que se reunirá nesta segunda-feira com associações de bares e restaurantes para discutir medidas de estímulo.

"Estarei com o Paulo Guedes daqui a pouco. Estarei com ele talvez o dia todo buscando soluções", disse.

Ele lembrou que a equipe econômica também avalia iniciativas para socorrer as empresas aéreas, evitando que elas sofram prejuízos.

Apesar de ter avaliado que a crise "não é tudo isso que dizem", Bolsonaro reconheceu que o sistema de saúde deve ficar sobrecarregado.

Ele informou que acionou os hospitais militares para que atendam pacientes que não conseguirem ser incorporados pelo SUS (Sistema Único de Saúde).

"Vão ter dificuldades, não há a menor dúvida. Já falamos para os hospitais militares atenderem o pessoal", disse.

Durante a entrevista, o presidente tossiu. A tosse é considerada um dos sintomas da doença. "Tenho problema de refluxo e às vezes eu tusso", justificou.

Ele lembrou que fará um novo exame nesta terça-feira (17) para constatar se de fato não contraiu a doença.

"Segundo teste que vou fazer. Eu digo para você: até o momento, se eu tiver com o vírus aqui, não estou sentindo absolutamente nada, tudo normal", afirmou.

Também em entrevista à Rádio Bandeirantes, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou que a crise econômica poderia ser tão grande que tornou secundária a discussão sobre recursos do Orçamento, que dominou a pauta entre Legislativo e Executivo na semana passada.

​“Alguns economistas estão prevendo, estavam prevendo na quarta passada [11] um crescimento de apenas 1,4%. No final de semana, alguns economistas já começaram a prever um crescimento zero. Então nas próximas semanas a gente vai ter uma noção maior”, disse Maia.

Maia expressou preocupação com o impacto principalmente em trabalhadores com renda informal, como motoristas de aplicativos ou professores de ginástica.

Segundo ele, o governo precisará ajudar a garantir a sobrevivência das empresas e apoiá-las para que as companhias não demitam trabalhadores.