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Bolsonaro diz acreditar que, com deflação, BC comece a reduzir taxa de juros

Presidente Jair Bolsonaro participa do primeiro debate de candidatos à Presidência antes das eleições de outubro

Por Ricardo Brito

(Reuters) - O presidente Jair Bolsonaro (PL), que tenta a reeleição, afirmou nesta terça-feira que acredita que o Banco Central poderá começar a reduzir a taxa básica de juros diante de alguns meses de deflação que a economia está registrando.

"Qualquer palavra minha um pouco distorcida, ou não muito bem compreendida, mexe no dólar hoje à tarde. Eu quero que o dólar continue caindo", disse Bolsonaro em sabatina do Instituto União Nacional de Entidades do Comércio e Serviços (Unecs) com presidenciáveis, em Brasília.

"O Banco Central é independente agora, acredito que a taxa de juros comece a cair. No nosso governo chegou a 2%, tem os prós e os contras, está em 13% aproximadamente no momento. Eu acho que o melhor sinal é isso. Com deflação, acredito que essa taxa de juros comece a cair", acrescentou.

O IPCA, que baliza a meta oficial de inflação, registrou em julho deflação de 0,68%, devido às quedas nos preços de combustíveis e energia elétrica graças a medidas do governo e do Congresso para reduzir preços. Esses efeitos ainda perduraram em agosto, com o IPCA-15 marcando maior deflação em quase 31 anos, de 0,73%.

No início de agosto, o Banco Central elevou a taxa básica de juros em 0,5 ponto percentual a 13,75% ao ano, maior patamar desde janeiro de 2017, e indicou que poderá encerrar o agressivo ciclo de aperto com um ajuste menor em setembro.

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, disse na sexta-feira que a autoridade monetária comemora números de inflação mais baixos, mas que não pode "baixar a guarda", ressaltando que os preços dos alimentos vieram bem acima do esperado.

ZERAR IPI

Durante a sabatina, Bolsonaro recorreu a respostas mais genéricas às perguntas feitas, várias vezes utilizando menos tempo do que o previsto pela organização.

Quando questionado sobre burocracia tributária e uma reforma para os impostos, o presidente mencionou os cortes no Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e afirmou que a ideia do ministro da Economia, Paulo Guedes, é zerar esse tributo.

"São mais de 4 mil produtos que vão ter essa redução. O Paulo Guedes tem dito, eu posso falar, ele me autorizou, a ideia dele é zerar o IPI no Brasil. Ele fala que isso vai buscar a reindustrialização do nosso país", disse ele.

Bolsonaro disse que está havendo um excesso de arrecadação no país.

OPERAÇÃO CONTRA EMPRESÁRIOS

Bolsonaro voltou a criticar a operação da Polícia Federal na semana passada contra empresários bolsonaristas. Ele chamou de "coisa absurda" o que fizeram com oito empresários. Eles foram alvo de busca e apreensão e tiveram sigilos telemático e bancário quebrados.

Segundo Bolsonaro, ao destacar que há um ordenamento jurídico no país, a operação foi deflagrada sem se consultar o Ministério Público Federal. De fato, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, determinou as medidas requeridas pela PF sem manifestação prévia do MP, o que é previsto na legislação penal.

"O momento não é de a gente ficar quieto, 'não é comigo, fico quieto'", disse ele.

(Reportagem adicional de Gabriel Ara)