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Bolsonaro destaca preservação de empregos e pede volta ao normal

Lu Aiko Otta e Cristiano Zaia

Mais uma vez, ele usou fala da representante da OMS sobre contágio para defender flexibilização O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta terça-feira, em reunião com seus ministros no Palácio da Alvorada, que os programas desenvolvidos pelo Ministério da Economia ajudaram a preservar empregos e a sobrevivência dos mais vulneráveis durante a pandemia de covid-19.

"O Brasil foi o país que mais preservou empregos com suas medidas adotadas", disse, sem citar fontes. "Na América do Sul, informais perderam, na média, 80% de sua renda", acrescentou.

Bolsonaro, que tem desrespeitado as medidas de isolamento social e ignorado a obrigatoriedade do uso de máscara no Distrito Federal, disse que foi muito criticado pela mídia por ter ido à periferia de Brasília. "Mas fui ver os informais", argumentou.

Bolsonaro fala durante reunião ministerial no Palácio da Alvorada

Reprodução / Agência Brasil

"Não basta ficar em casa", disse. "Uma minoria pode ficar em casa com geladeira cheia, internet, Netflix." No entanto, afirmou o presidente, muitas pessoas têm dificuldade em sobreviver e passam fome.

Bolsonaro encerrou a reunião dizendo que a afirmação da representante da chefe do programa de emergências da Organização Mundial de Saúde (OMS), Maria van Kerkhove, de que a transmissão da covid-19 por pacientes assintomáticos parece ser rara, contribuirá para flexibilizar as medidas de isolamento social.

Na segunda-feira, após a fala de Kerkhove, Bolsonaro escreveu que “a OMS conclui que pacientes assintomáticos (a grande maioria) não têm potencial de infectar outras pessoas”, o que não é verdade.

Nesta terça-feira, o diretor de emergências da Organização Mundial de Saúde (OMS), Michael Ryan, esclareceu: "Estamos absolutamente convencidos de que a transmissão por casos assintomáticos está ocorrendo, a questão é saber quanto".

Já na segunda-feira, Kerkhove ressalvou a diferença entre os assintomáticos e os pré-sintomáticos, pessoas infectadas que ainda desenvolverão os sintomas da doença.

Durante a reunião ministerial, Bolsonaro frisou que as medidas de isolamento social foram determinadas pelos governadores e prefeitos, não pelo governo federal, e defendeu a volta "mais rápido possível à normalidade, para a vida que tínhamos em janeiro e fevereiro."