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Bolsonaro, desgastado também entre os evangélicos

·4 minuto de leitura

Jair Bolsonaro já não é mais uma unanimidade entre os evangélicos brasileiros, cada vez mais divididos em relação ao presidente em quem votaram maciçamente em 2018.

"Conversando com alguns líderes, que tinham muitas expectativas nesse discurso de moral cristã, de representações dos direitos da família evangélica, percebi que muitos se arrependeram de ter votado em Bolsonaro e estão preparados para outra mudança. Esse público não é uníssono", explica à AFP Kléber Lucas, cantor gospel e pastor declaradamente antibolsonarista na Igreja Batista Soul, na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio de Janeiro.

Segundo pesquisa do Instituto Ipec, publicada no fim de junho, 59% dos evangélicos disseram "não confiar em Bolsonaro".

O percentual foi inferior ao de todos os entrevistados (68%), mas é surpreendente se levado em conta que, segundo o Instituto Datafolha, 70% dos evangélicos votaram em Bolsonaro no segundo turno em 2018.

"Para muitos evangélicos, mesmo conservadores, houve uma radicalização do Bolsonaro em relação à sua postura diante da pandemia, sua agressividade, sua defesa quase que irretocável com relação à violência, seu apreço pela ditadura", explicou Ronilso Pacheco, pesquisador e mestrando do Union Theological Seminary, da Universidade de Columbia, em Nova York.

"Têm algumas questões que, mesmo para alguns evangélicos conservadores, ultrapassaram o limite", acrescentou.

A pandemia deixou mais de 550.000 mortos no Brasil, devido em grande parte à caótica gestão de Bolsonaro, segundo especialistas.

- "Muito radical"

No último censo oficial, de 2010, 22,2% dos brasileiros se declararam evangélicos, mas pesquisas de opinião recentes sugerem que o percentual pode ter chegado a 30% nos últimos dez anos.

No Brasil, há muitas igrejas evangélicas, tanto protestantes tradicionais, metodistas, ou presbiterianas, como movimentos neopentecostais, alguns muito ricos e poderosos, como a Igreja Universal do Reino de Deus, à frente de um império midiático.

Bolsonaro é católico, mas sua esposa, Michelle, é evangélica, e ele foi batizado no rio Jordão por um pastor em 2016.

"Votei no Bolsonaro e não me arrependo, mas não foi à altura da minha expectativa em tudo. Às vezes acho ele muito radical", admite Danielle Alfonso, de 43 anos, frequentadora da igreja Batista Soul do pastor Kléber Lucas.

Para Jacqueline Moraes Teixeira, antropóloga da Universidade de São Paulo (USP), o receio de alguns evangélicos com Bolsonaro apareceu desde o início do seu mandato.

Foi o que ela constatou em um estudo realizado com fiéis que participaram da Marcha para Jesus em 2019. Antes da pandemia, o evento reunia anualmente centenas de milhares de evangélicos em São Paulo.

"Nesse levantamento, já tinha algumas pessoas decepcionadas com o voto (em Bolsonaro), e isso estava muito relacionado a dois momentos fundamentais do governo: o primeiro, de falas meio pejorativas e palavrões nas lives, e isso é muito comum às mulheres, que demonstravam incômodo com isso", explica a pesquisadora.

"A segunda questão é a assinatura do decreto sobre uma maior flexibilização do porte de armas no país. Muitos consideram que não dá para ser cristão e defender o armamento", acrescenta.

Após analisar mensagens em grupos do Whatsapp, Moraes observou que o agravamento da pandemia, com uma segunda onda especialmente mortal no começo de 2021, "tem feito com que pessoas repensem o voto para 2022".

- Derretimento -

A pesquisa do Ipec atribui a Bolsonaro 32% das intenções de voto do eleitorado evangélico no ano que vem, e 41%, ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, seu grande adversário.

Uma pesquisa do Datafolha divulgou cifras mais apertadas, com 37% para Lula, e 38%, para Bolsonaro.

"Como o movimento evangélico ainda está muito na base da pirâmide social, a falta de recursos e a pobreza aumentada, a distância entre os mais ricos e os mais pobres têm feito o povo refletir um pouco mais", avalia César Carvalho, pastor da Comunidade Cristã Novo Dia, em Jacarepaguá, também na zona oeste do Rio.

"Acho que, efetivamente, essa base tem derretido, mas, ao mesmo tempo, é um fluxo, porque por outro lado ele tem reforçado a adesão evangélica, mais de movimentos organizados - lideranças conservadoras e ultraconservadoras, fundamentalistas", avalia Pacheco.

Por isso, há duas semanas, o presidente nomeou para o Supremo Tribunal Federal (STF) um juiz, a quem ele mesmo qualificou de "terrivelmente evangélico": André Mendonça, ex-ministro da Justiça e pastor de uma igreja presbiteriana em Brasília.

"Antes, as igrejas tradicionais não estavam nessa disputa histórica junto com os pentecostais, ou neopentecostais. No governo Bolsonaro, eles entram e participam e estão muito mais na órbita bolsonarista do que em qualquer outro movimento político brasileiro", explica Ronilso Pacheco, citando, em particular, o pastor presbiteriano Milton Ribeiro, ministro da Educação.

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