Bolsonaro depõe à PF em caso de fraude em cartões de vacinação

Ex-presidente Jair Bolsonaro deixa a sede da PF após prestar depoimento no caso da fraude de cartões de vacina, em Brasília, em 16 de maio de 2023
Ex-presidente Jair Bolsonaro deixa a sede da PF após prestar depoimento no caso da fraude de cartões de vacina, em Brasília, em 16 de maio de 2023

O ex-presidente Jair Bolsonaro prestou depoimento nesta terça-feira (16), por várias horas, à Polícia Federal (PF) em Brasília, onde mais uma vez negou sua participação na suposta fraude de cartões de vacinação contra a covid-19 investigada pelas autoridades.

Bolsonaro, cuja casa foi alvo de buscas no início de maio neste caso, chegou à sede da PF por volta das 13h40, em um carro com vidros escuros, e saiu da mesma forma cerca de quatro horas depois, sem falar com a imprensa, observou um fotógrafo da AFP.

Em seu depoimento aos agentes, "com duração aproximada de 3 horas", Bolsonaro voltou a negar sua participação no suposto esquema, informou o ex-secretário de Comunicação e atual assessor de Bolsonaro, Fábio Wajngarten, no Twitter.

Ele "reiterou que jamais se vacinou, que desconhecia toda e qualquer iniciativa para eventual falsificação, inserção, adulteração no seu cartão de vacinação bem como de sua filha", acrescentou Wajngarten.

As autoridades estão investigando uma suposta "estrutura criminosa" suspeita de "inserir dados falsos de vacinação contra a covid-19 em benefício do então presidente da República, de sua filha, de assessores próximos", segundo documentos oficiais.

O objetivo seria burlar as restrições sanitárias impostas por Brasil e Estados Unidos, para onde Bolsonaro viajou com uma comitiva de familiares e assessores dois dias antes de encerrar seu mandato, permanecendo lá por três meses.

De acordo com as investigações, o ex-presidente - que semeava dúvidas sobre as vacinas anticovid no auge da pandemia e sempre disse não ter tomado nenhuma dose - foi registrado no sistema de imunização como se tivesse recebido duas doses, em agosto e outubro do ano passado.

Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro e considerado seu braço direito durante a presidência, foi detido pelo caso, como suspeito de iniciar a prática de ilícitos, que também contaria com a colaboração de subordinados, um médico, um advogado e outros militares.

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