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Bolsonaro cumprimenta Biden pela posse e deseja 'excelente futuro' em carta

RICARDO DELLA COLETTA
·6 minuto de leitura
*ARQUIVO* BRASÍLIA, DF,  20.02.2020 - O presidente Jair Bolsonaro durante evento em Brasília. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
*ARQUIVO* BRASÍLIA, DF, 20.02.2020 - O presidente Jair Bolsonaro durante evento em Brasília. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - No dia da posse de Joe Biden como novo líder dos Estados Unidos, o presidente Jair Bolsonaro falou em "excelente futuro para a parceria Brasil-EUA" e, numa carta endereçada ao americano, defendeu parcerias dos dois países "em prol do desenvolvimento sustentável e da proteção do meio ambiente".

O brasileiro informou ter enviado o documento a Biden —com quem já trocou críticas justamente sobre a preservação da Amazônia—​ em uma sequência de mensagens publicadas nas redes sociais. A íntegra da carta de três páginas também foi tornada pública pelo mandatário.

"Cumprimento Joe Biden como 46º Presidente dos EUA. A relação Brasil e EUA é longa, sólida e baseada em valores elevados, como a defesa da democracia e das liberdades individuais. Sigo empenhado e pronto para trabalhar pela prosperidade de nossas nações e o bem-estar de nossos cidadãos", escreveu ele.

"Para marcar essa data, enderecei carta ao Presidente dos EUA, Joe Biden, cumprimentando-o por sua posse e expondo minha visão de um excelente futuro para a parceria Brasil-EUA".

A carta enviada por Bolsonaro representa uma mudança na postura que vinha sido adotada até o momento na relação com os Estados Unidos. O presidente braileiro é um admirador declarado de Donald Trump, o ex-presidente americano derrotado por Biden nas eleições do ano passado.

Mesmo após o resultado do pleito nos EUA, Bolsonaro não abandonou Trump. Foi um dos últimos líderes internacionais a felicitar Biden e fez eco às declarações do republicano de que o pleito teria sido fraudado.

Desde a vitória de Biden, assessores militares e auxiliares que aconselham Bolsonaro em temas de política externa vinham trabalhando nos bastidores para que houvesse um esforço de moderação.

A avaliação é a de que o diálogo ficaria interditado, principalmente se Bolsonaro e o chanceler Ernesto Araújo continuassem a demonstrar simpatia a Trump e aos apoiadores do republicano que invadiram o Capitólio em 6 de janeiro —episódio violento no qual cinco pessoas morreram.

A carta é o primeiro gesto para indicar que o país tentará estabelecer algum nível de pragmatismo com Washington. A menção ao meio ambiente, em dois parágrafos, é uma mostra do esforço.

A ênfase dada ao tema não foi ao acaso, uma vez que diplomatas preveem que Biden deve colocar forte pressão sobre o Brasil em assuntos ligados à sustentabilidade. O americano colocou o tema como prioridades e indicou John Kerry, ex-candidato a presidente, como seu enviado especial para o clima.

"Estamos prontos, ademais, a continuar nossa parceria em prol do desenvolvimento sustentável e da proteção do meio ambiente, em especial a Amazônia, com base em nosso Diálogo Ambiental, recém-inaugurado. Noto, a propósito, que o Brasil demonstrou seu compromisso com o Acordo de Paris com a apresentação de suas novas metas nacionais", escreveu Bolsonaro.

"Para o êxito no combate à mudança do clima, será fundamental aprofundar o diálogo na área energética. O Brasil tem uma das matrizes energéticas mais limpas do mundo e, junto com os EUA, é um dos maiores produtores de biocombustíveis. Tendo sido escolhido país líder para o diálogo de alto nível da ONU sobre Transição Energética, o Brasil está pronto para aumentar a cooperação na temática das energias limpas".

Bolsonaro ficou conhecido no exterior como um líder contrário a medidas de preservação do meio ambiente. Ele já responsabilizou ONGs por crimes ambientais e foi amplamente criticado pelo aumento do desmatamento na Amazônia e por uma onda de queimadas no Pantanal.

Durante a campanha presidencial dos EUA, houve inclusive um embate direto entre Bolsonaro e Biden.

Ao abordar os incêndios que devastavam parte da Costa Oeste dos EUA em um debate, Biden mencionou também as queimadas na Amazônia e afirmou que uma de suas propostas é trabalhar com países ao redor do mundo para atacar o aquecimento global.

"A floresta tropical no Brasil está sendo destruída", criticou o democrata, que na ocasião prometeu se juntar a outros países e oferecer US$ 20 bilhões (R$ 112 bi) para ajudar na preservação da região.

"Parem de destruir a floresta e, se não fizer isso, você terá consequências econômicas significativas", completou, indicando possíveis retaliações ao governo brasileiro. Em resposta, Bolsonaro classificou a fala de Biden como "lamentável".

Na carta desta quarta, Bolsonaro diz que Brasil e EUA têm "construído uma ampla e profunda parceria​". O presidente também alega ter corrigido "equívocos de governos brasileiros anteriores, que afastaram o Brasil dos EUA, contrariando o sentimento de nossa população e os nossos interesses comuns".

Em seguida, Bolsonaro cita temas caros à agenda bilateral e que diplomatas temiam que pudessem sofrer com as diferenças entre Washington e Brasília. Menciona ainda que o governo brasileiro e os empresários dos dois países têm interesse na celebração de um "abrangente acordo de livre comércio" com os EUA.

"Já temos como base os recentes protocolos de facilitação de comércio, boas práticas regulatórias e combate à corrupção, que certamente contribuirão para a recuperação de nossas economias no contexto pós-pandemia", afirma Bolsonaro. Ele também cita o potencial de cooperação na área de ciência e tecnologia e menciona a conclusão do acordo de salvaguardas tecnológicas que permitirá o lançamento de foguetes espaciais da base de Alcântara, no Maranhão.

Bolsonaro se diz ainda disposto a continuar cooperando com os Estados Unidos na "reforma da governança internacional". "Isso se aplica, por exemplo, à OMC, onde queremos destravar as negociações e evitar as distorções de economias que não seguem as regras de mercado", diz.

"Na OCDE [Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico], com o apoio dos EUA, o Brasil espera poder dar contribuição mais efetiva e aumentar a representatividade da organização. Nosso processo de acessão terá, também, impacto fundamental para as reformas econômicas e sociais em curso em nosso país", continua. O brasileiro conclui a carta afirmando estar convicto de que, juntos, "temos todas as condições para seguir aprofundando nossos vínculos e agenda de trabalho, em favor da prosperidade e do bem-estar de nossas ações".

Em uma Washington sitiada, Joe Biden fez seu juramento em frente ao Congresso americano nesta quarta-feira e tomou posse como o 46º presidente dos EUA, colocando fim à era de Donald Trump.​

O democrata, segundo presidente católico na história do país, jurou sobre a Bíblia, como é tradição nos EUA, diante do presidente da Suprema Corte americana, John Roberts. A cerimônia não contou com a presença de Trump —o republicano não aceitou totalmente sua derrota e se tornou o quarto presidente da história do país a não comparecer à posse do sucessor, o que não acontecia há 152 anos.

Biden assume uma nação dividida e devastada por uma pandemia que já matou mais de 400 mil pessoas nos EUA. Por isso, em seu primeiro discurso como presidente, pediu aos americanos o fim do que chamou de "guerra incivil". Seus principais desafios, além da polarização, serão recuperar a economia, controlar o coronavírus e pacificar um país ameaçado pelo terrorismo doméstico.