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Bolsonaro classifica saída do PSL como ‘separação amigável’

Raphael Di Cunto

Segundo o presidente, a nova sigla criada será “pobre” e “sem televisão” O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta quinta-feira, em live nas redes sociais, que sua saída do PSL está ocorrendo de forma “amigável” e que lançou, por enquanto de forma não oficial, um novo partido, o Aliança pelo Brasil. “A única certeza é que me desfilio do PSL nos próximos dias, agradeço ao partido, é uma separação amigável”, disse.

Ele afirmou que a relação com o partido foi como um casamento que acabou e criticou a imprensa por dizer que já passou por nove partidos, quando, na verdade, seriam cinco, porque os outros quatro foram mudanças de nome como consequência de fusões ou incorporações.

Bolsonaro e o presidente da Caixa, Pedro Guimarães, em live nas redes sociais

Reprodução Facebook

Mais cedo, ao chegar no Palácio do Alvorada, já havia comentado a criação do novo partido. Ele afirmou que os parlamentares que quiserem se filiar à sigla terão que ir "por amor", já que, segundo ele, a legenda será "pobre", "sem dinheiro" e "sem televisão". A afirmação fazia referência ao fundo partidário e ao tempo de no horário político de rádio e televisão.

Sem falar sobre o presidente do PSL, o deputado Luciano Bivar (PE), prejudicado por uma medida provisória (MP) editada esta semana para extinção do Dpvat, seguro obrigatório para veículos automotores que tinha a seguradora do seu desafeto como uma das gestoras, Bolsonaro afirmou que tudo que é obrigatório é ruim e que quem quiser seguro pode procurar diretamente uma seguradora.

Auditoria nas urnas

Na transmissão, Bolsonaro usou a crise política na Bolívia, com a renúncia de seu ex-presidente Evo Morales, em meio a denúncias de fraudes nas eleições, para voltar a defender a aprovação de um projeto que permita auditar as urnas eletrônicas nas eleições brasileiras. Bolsonaro lançou novas suspeitas de fraudes em 2018.

“Tivemos problema lá na Bolívia […]. Fica o ensinamento para nós. Tenho falado com alguns líderes, vou falar isso, para que venhamos a votar projeto de lei para que você possa auditar uma eleição. Se você votou no João, ter certeza que votou no João e não ser como ocorreu na Bolívia”, disse.

Bolsonaro, durante a campanha eleitoral de 2018, falou o tempo todo sobre a possibilidade de fraudes e defendeu o voto impresso para poder auditar as eleições. “Todo mundo dizia que eu tinha tudo para ganhar as eleições, e no final eu tive 55% dos votos e o outro candidato teve 45% dos votos. Muita gente achou que a diferença foi muito maior”, disse.

Ele questionou que, “se o outro lado ganha as eleições”, não teria como auditar os votos e que por isso “temos obrigação de ter sistema de votação confiável” para a eleição nacional de 2022.

Enem

Bolsonaro comentou as provas do Enem. Ele afirmou que o teste foi um sucesso e será melhor no ano que vem porque em 2019 foi preciso usar perguntas elaboradas pela gestão anterior, mas em 2020 cairá na prova “o que interessa”. “Esse Enem não teve questão polêmica”, disse.

Sem citar diretamente a questão, Bolsonaro lembrou que a prova de 2018 questionou sobre um dialeto usado por gays e travestis e disse que este ano isso ficou de fora para não estimular a “garotada a se interessar por esse tipo de linguagem desse tipo de classe”. Ele disse que não falaria a que “classe” se referia para não causar polêmica.

Logo em seguida, disse que não houve pergunta no Enem sobre a ditadura no Brasil porque isso não existiu. “Que ditadura é essa, onde você tem direito de ir e vir?”, afirmou, ignorando as perseguições, torturas, assassinatos e censura do período. “Querem chamar de ditadura, podem chamar, não vou polemizar, mas a população lembra como era”, continuou.

Bolsonaro ainda falou que lançou o programa “Emprego Verde e Amarelo” para estimular a contratação de jovens de até 29 anos e que iria “além” porque “quem tem que fazer o acordo é o empregado com o patrão”, mas que não falaria disso

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