Mercado fechado

Bolsonaro atende apoiadores distante do 'cercadinho' da imprensa após prisão de Queiroz

Bolsonaro levou para dentro do Alvorada seus apoiadores e os colocou longe da imprensa. (Foto: Reprodução/CNN Brasil)

Em sua primeira fala a apoiadores após a prisão de Fabrício Queiroz, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) colocou seus fãs em uma área interna no Palácio da Alvorada, restrita e distante do “cercadinho” destinado à imprensa.

O movimento aconteceu na tarde desta sexta-feira (19) ao falar pela primeira vez com sua base aliada desde que Queiroz, seu amigo pessoal e ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro, seu filho mais velho, foi preso em Atiabaia, na residência de Frederick Wassef, advogado de Bolsonaro.

Leia também

Durante a tarde e noite de quinta-feira (18), Bolsonaro passou direto pelo “cercadinho” e ignorou os apelos para que parasse e conversasse com seus apoiadores. A parada de Bolsonaro na porta do Alvorada já foi praticamente incorporada à agenda do presidente, onde costuma atender aos pedidos do público e responder questionamentos da imprensa.

Baixe o app do Yahoo Mail em menos de 1 min e receba todos os seus emails em 1 só lugar

Na tarde desta sexta, havia cerca de 40 apoiadores na área destinada aos fãs bolsonaristas, localizada exatamente ao lado do “cercadinho” da imprensa. No entanto, minutos antes da chegada de Bolsonaro no Alvorada, a segurança do presidente permitiu que os presentes entrassem na residência oficial da República e ficassem distante dos microfones e câmeras das emissoras.

O momento da entrada foi captado e transmitido pelo programa CNN 360, da emissora CNN Brasil.

Momento em que os portões do Alvorada foram abertos e os apoiadores colocados para dentro, longe do 'cercadinho'. (Foto: Reprodução/CNN Brasil)

PRONUNCIAMENTO NA LIVE

O primeiro pronunciamento de Bolsonaro sobre a prisão de Queiroz veio na transmissão live de quinta, no Facebook. Bolsonaro afirmou que o ex-assessor de seu filho não estava foragido e foi alvo de uma prisão "espetaculosa" como se fosse "o maior bandido da face da Terra". Em uma transmissão que durou 25 minutos, mais curta em relação às semanas anteriores, Bolsonaro começou dizendo que não era alvo na investigação.

"Deixo bem claro que não sou advogado e não estou envolvido nesse processo. Mas o Queiroz não estava foragido e não havia nenhum mandado de prisão contra ele. E foi feito uma prisão espetaculosa", disse. "Que a Justiça siga seu caminho, mas parecia que estavam prendendo o maior bandido da face da Terra." 

Bolsonaro também procurou justificar o motivo de Queiroz estar na casa em Atibaia. "E por que ele estava naquela região de São Paulo? Porque é perto do hospital onde ele faz tratamento de câncer. Esse é o quadro. Da minha parte, está encerrado o caso Queiroz", acrescentou Bolsonaro.

Queiroz foi preso na quinta-feira (18) em Atibaia, no interior de São Paulo, em um imóvel do advogado Frederick Wassef, responsável pelas defesas de Flávio e do presidente Bolsonaro. Wassef é figura constante no Palácio da Alvorada, residência oficial da Presidência, e em eventos no Palácio do Planalto. Tanto Wassef como a família Bolsonaro afirmavam que não tinham contato com Queiroz desde que o caso veio à tona, no final de 2018.

CASO QUEIROZ

Policial Militar aposentado, Queiroz movimentou R$ 1,2 milhão em sua conta de maneira considerada "atípica", de acordo com relatório do antigo Conselho de Atividades Financeiras (Coaf). Ele trabalhou para o filho do presidente Jair Bolsonaro antes de Flávio tomar posse como senador, durante o mandato de deputado estadual no Rio de Janeiro.

Além do volume movimentado, chamou a atenção a forma com que as operações se davam: depósitos e saques em dinheiro vivo em datas próximas do pagamento de servidores da Alerj

Figura polêmica, Queiroz foi assessor e motorista de Flavio Bolsonaro até o fim de 2018, quando acabou exonerado. A investigação do MP-RJ que apura as irregularidades de Queiroz na Alerj chegou a ser suspensa depois da decisão de Dias Toffoli, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), após pedido da defesa de Flavio Bolsonaro em 2019.

Embora estivesse empregado no gabinete de Flávio entre 2007 e 2018, a origem da relação de Queiroz com a família Bolsonaro é o presidente da República. Os dois se conhecem desde 1984 e pescavam juntos em Angra dos Reis.

O PM aposentado também depositou R$ 24 mil na conta da primeira-dama Michelle Bolsonaro em 2016. O presidente afirma se tratar de parte da quitação de um empréstimo de R$ 40 mil.

Siga o Yahoo Notícias no Instagram, Facebook, Twitter e YouTube e aproveite para se logar e deixar aqui abaixo o seu comentário.